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Primeira Turma do TST homenageia Fernando Pessoa

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Por: Tribunal Superior do Trabalho
Data de Publicação: 5 de dezembro de 2005
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O presidente da Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, registrou o septuagésimo ano da morte de Fernando Pessoa, com uma homenagem ao poeta português, na abertura da sessão da última quarta-feira. Segue a íntegra da homenagem:

?Há precisamente 70 anos, em 30 de novembro de 1935, falecia em Lisboa Fernando Pessoa, o maior poeta da Língua Portuguesa. Se a literatura é ?a única verdadeira arte?, como ele dizia, Pessoa foi o maior artista da Língua Portuguesa. Pessoa está para a Língua Portuguesa como William Shakespeare está a Língua Inglesa. Espírito interrogativo, atilado e de sensibilidade aguçada, Fernando Pessoa compôs alguns dos mais preciosos versos do nosso idioma. Como estes:

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és]

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda]

Brilha, porque alta vive.

Noutro momento antológico e imorredouro, ele cantou o ?Mar portuguez? de tantas conquistas para nossos irmãos lusitanos:

?Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena?.

Pessoa era ele profundo e muitos outros, parafrasendo-lhe uma obra de prosa. Ele necessitava de múltiplas personalidades para dar vazão a uma inventividade extraordinária. Poucos conheceram-nos tão bem a alma quanto ele soube expressar. No Poema em Linha Reta, por exemplo, ele pintou um retrato irretocável da mediocridade da alma humana:

?Toda a gente que eu conheço e que fala

comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe ? todos eles príncipes ? na vida...

Quem dera ouvir de alguém a voz humana

Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó Príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideus

Onde é que há gente no mundo??

Fernando Pessoa era o poeta da dúvida, cuja poesia não decretava verdade alguma. Uma de suas afirmativas que mais aprecio é esta:

?Não tenho nenhuma certeza. Sou mais certo ou menos certo??

Por isso e muito mais, Fernando Pessoa foi um gênio patrício inigualável de uma poesia dramática.

Daí por que neste septuagésimo aniversário de sua morte, quero evocar-lhe a memória e render-lhe meu tributo de admiração perrene. E reafirmar:

Fernando Pessoa vive e sempre viverá, pois que ele nos legou a mais soberba das poesias. E, como disse Antero de Quental, ?os sistemas caem, os cultos desfazem-se, só os poemas parecem cada vez mais jovens e mais belos sob os beijos fatais do tempo?.

É sob a inspiração e o bálsamo da poesia de Fernando Pessoa, a quem hoje homenageio, que declaro aberta a sessão ordinária da Primeira Turma do TST?.

 

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