O Tribunal Superior do Trabalho encerrou o ano judiciário de 2005 realizando sua última sessão do Tribunal Pleno na sede da Praça dos Tribunais Superiores. Em 1º de fevereiro, quando começa o ano judiciário da 2006, o Tribunal já estará definitivamente instalado em sua nova sede, no Setor de Administração Federal. O presidente do Tribunal, ministro Vantuil Abdala, observou que a mudança ?encerra um ciclo na história do TST?.
Na sessão de despedida do ano e da sede na qual funcionou desde 1971, os ministros registraram sua emoção e sua expectativa diante da mudança. O ministro João Batista Brito Pereira ? que foi servidor do Tribunal e procurador do Trabalho antes de ser nomeado ministro - , lembrou a vinda do Tribunal para suas atuais instalações, quando da transferência da sede do Estado da Guanabara para Brasília, e do crescimento paulatino da demanda da sociedade pela Justiça do Trabalho, que foi tornando essas instalações insuficientes.
?Não podia sair daqui sem um olhar de ternura e reconhecimento da importância desse modesto edifício, de corredores estreitos, anexos apertados, gabinetes e salas que parecem baias, com ?gambiarras? nos pontos lógicos?, registrou o ministro Brito Pereira. ?Antes de apertados, esses ambientes pouco espaçosos são aconchegantes. A proximidade dos gabinetes facilita o convívio e o contato pessoal, e serão muitas as recordações e as histórias que levaremos daqui. Mas saímos felizes com o crescimento da Justiça do Trabalho, que mereceu uma sede digna de sua importância social e de sua grandeza institucional?, concluiu.
Os ministros Lélio Bentes, Ives Gandra Filho e Maria Cristina Peduzzi também fizeram questão de registrar sua emoção com a mudança. Lélio Bentes e Ives Gandra, como Brito Pereira, foram servidores do Tribunal e membros do Ministério Público do Trabalho antes de se tornarem ministros. Cristina Peduzzi, como advogada trabalhista, lembrou que desde começou sua carreira atuando no TST e, ?desde 1975, freqüentei diariamente estas salas?. O ministro Emmanoel Pereira, um dos ministros mais recentes do Tribunal, observou que o ministro Brito Pereira conseguiu resumir, em dez minutos, sessenta anos da história da Justiça do Trabalho e das pessoas que a fizeram.
O ministro Vantuil Abdala observou que, ?se há um lado de melancolia em deixarmos o prédio onde atuamos durante tantos anos, há por outro lado a alegria e a esperança de uma nova sede com melhores condições para todos, uma sede condigna para a Justiça do Trabalho, que aplica o mais social dos ramos do Direito?. Lembrando que, ao voltarem de férias, os ministros já estarão em suas novas instalações, Vantuil ressaltou que, ?naturalmente, haverá uma fase de adaptação nos primeiros tempos, mas creio que em pouco tempo já estaremos em condições de aproveitar melhor o espaço físico para nosso objetivo maior de uma prestação jurisdicional mais eficiente.
Em nome do Ministério Público do Trabalho, a Procuradora-Geral, Sandra Lia Simon, saudou o Tribunal pelo trabalho desenvolvido ao longo de 2005, destacando o fortalecimento das relações institucionais entre a Justiça do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho. Sobre a mudança, a Procuradora manifestou sua certeza de que ?na nova sede, a atuação da corte será ainda melhor, já que um ambiente de trabalho saudável, sadio e, principalmente, adequado faz com que o desempenho das atividades institucionais seja mais efetivo?.
Despedindo-se da Corte, o advogado Nilton Corrêa, em nome de seus demais colegas, lembrou que também os advogados deixaram marcas e levarão lembranças da velha sede do TST e, junto a seus votos de fim de ano e de ?um brilhante 2006, já no prédio novo?, citou Gabriel Garcia Marquez, que, numa carta a um amigo, disse ter aprendido ?que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a se levantar?.
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