Começou hoje (dia 06 de dezembro), às 14h, no 1º Tribunal do Júri, o julgamento do traficante Eduíno Eustáquio de Araújo Filho, o Dudu da Rocinha. O processo em relação ao seu comparsa, Carlos Henrique Fernandes dos Santos, o Pretinho, foi desmembrado. Ele será julgado em 1º de fevereiro de 2006. A presidência do júri está sendo feita pelo juiz Fábio Uchôa Montenegro e a acusação pela promotora pública Patrícia Glioche. Ele está sendo acusado da morte da mineira Telma Veloso Pinto, ocorrida na Avenida Niemeyer, em 2004, por lesões corporais feitas no sobrinho dela, Artur Veloso Pinto Zarbo, e pela morte do morador da Rocinha Wellington da Silva.
Dudu da Rocinha está sendo defendido pelo advogado Maurício Neville, apesar de ele ter sido desconstituído no último júri, já que a lei lhe permite. O corpo de jurados é composto por quatro homens e três mulheres. No momento, está sendo ouvida a inspetora Marina Magessi, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O marido da vítima, Renato Gonzagas de Magalhães Gomes, também depôs e disse não ter reconhecido o traficante. Ele confirmou o que foi dito anteriormente em plenário.
Em depoimento ao juiz, o traficante (33 anos) negou os fatos e disse que na época dos crimes estava morando em Barbacena, Minas Gerais, com a esposa. Lá, trabalhava como auxiliar de serviços gerais e motorista de uma funerária. Ele falou que não sabe por quê está sendo acusado dos crimes. Dudu da Rocinha afirmou ter ficado dez anos preso, cumprindo pena de 26 anos por tentativa de homicídio. Que, antes de ir para Minas Gerais, trabalhava como lanterneiro na Rocinha e vivia com quatro filhos. O traficante comentou ainda que, quando foi libertado, seguiu para Búzios para morar com o pai. Depois, foi para Saquarema, onde foi preso.
O 1º Tribunal do Júri condenou, no dia 11 de novembro, a um total de 227 anos de reclusão em regime fechado, quatro outros integrantes da quadrilha do traficante: Pedro Arthur de Faria, o D’Oscar (condenado a 84 anos); Alexsandro Santanna da Silva, o Sapo Boi (a 69 anos); Fábio Roberto Santos, o Binho (a 68 anos); e Patrick Salgado Souza Martins, o PT (a 6 anos). Os três primeiros réus foram condenados por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, roubo mediante grave ameaça ou violência, além de formação de quadrilha. Patrick Salgado foi condenado apenas pelo crime de formação de quadrilha. O réu Ailton Francisco da Silva se encontra foragido.
Telma Veloso estava há três meses no Rio e foi morta quando voltava de um passeio com a família da Barra da Tijuca, durante feriado da Semana Santa, em abril de 2004. Ela passava pela Avenida Niemeyer e teve o seu carro alvejado durante guerra travada entre o tráfico de drogas das Favelas da Rocinha e do Vidigal. A vítima, que estava ao volante, tentou escapar ao cerco da quadrilha do Dudu da Rocinha, mas foi atingida na cabeça, vindo a morrer. Na ocasião, Renato Gonzagas, marido dela, foi baleado na altura do pescoço e um dos sobrinhos levou dois tiros, um no braço e outro na perna.
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