O desembargador Ozael Veloso, aos 67 anos de idade e 37 de toga, ainda sonha com uma Justiça célere e diz que, por enquanto, não pretende se aposentar. Prova disso é que no próximo biênio (2006-2007) ele será o responsável pela Corregedoria Geral da Justiça de Pernambuco (CGJ-PE), onde já possui vasta experiência.
O início dessa trajetória ocorreu no ano de 1971, quando da fundação da CGJ-PE. O Des. Guerra Barreto foi o primeiro corregedor-geral e Ozael, um dos três juízes auxiliares, cargo que exerceu até 1972. Em 1979 voltou ao cargo e permaneceu até 1988. Catorze anos mais tarde, ele seria eleito corregedor-geral para o biênio 2002-2003, antecedendo o atual gestor do cargo e futuro pre-sidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, Des. Fausto Freitas.
Na sua primeira gestão como corregedor, adotou iniciativas para tentar aproximar o relacionamento entre juízes, advogados e o Ministério Público. Para tanto, baixou um provimento no Diário Oficial recomendando aos magistrados um melhor atendimento aos advogados, entre outras medidas.
Da sua primeira gestão, ele guarda uma lembrança que considera desagradável. "Quando eu era corregedor-geral, seis juízes foram afastados do exercício da judicatura acusados de improbidade e corrupção. É lamentável, mas o TJPE agiu acertadamente".
A Escolha da profissão
Aos 16 anos, Ozael ainda não estava certo sobre ingressar na Faculdade de Direito. "Eu tinha o sonho de ser jornalista", revela o magistrado. Participava de grêmios literários com amigos do Ginásio Manoel Borba, na cidade de Goiana. Em 1957, ele chegou a montar um jornal mensal chamado A Razão, do qual era vice-diretor. "Eu passava um dia e uma noite na tipografia A Tribuna, que ficava no Recife, embora o jornal circulasse em Goiana. Lá eu colaborava com a revisão, enquanto esperava que o jornal fosse impresso", recorda.
A inclinação para a leitura e os julgamentos a que costumava assistir na cidade de Goiana, e depois no Recife, terminaram por motivá-lo aos estudos jurídicos na Universidade Católica de Pernambuco. "Os júris foram decisivos na escolha da profissão, pois eu me emocionava com eles e participava sempre que podia", lembra Ozael.
Quando finalmente ingressou na Faculdade de Direito, sequer pensava em seguir a magistratura. Ele queria advogar, conforme pretende fazer durante a aposentadoria. Já no segundo ano de curso, começou a atender às pessoas carentes que necessitavam recorrer à Justiça, realizando uma espécie de estágio. Depois de se formar, ainda advogou por dois anos e só depois desse período realizou o concurso para juiz.
Em 1968, ano seguinte à sua aprovação para o cargo de juiz de 1ª Entrância, foi designado para a Comarca de Tabira. (Manuela Veras)
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