?O leopardo?, de 1963, é um dos marcos do cinema italiano após o neo-realismo, estética que marcou a filmografia do país, no período posterior a segunda guerra. Luchino Visconti, seu diretor, foi um dos principais expoentes daquele movimento, tendo inclusive dirigido ?Obsessão?, de 1943, considerado o primeiro filme com traços neo-realistas.
Dito isso, o longa abandona as locações desoladas da Itália pós-guerra, o caráter documental e os atores amadores do neo-realismo. ?O leopardo? se passa na Sicilia da década de 1860, período conhecido por ?Il Risorgimento? na história italiana. Ele narra a história do nobre Don Fabrizio Salina (Burt Lancaster), membro de uma elite hegemônica local. Tio de Tancredi Falconeri (Alain Delon), Fabrizio vê no sobrinho e na sua relação com a bela ?emergente? Angelica Sedara (Claudia Cardinale) a decadência de seus costumes e do poder de sua casta.
O filme retrata um momento histórico em que a nobreza siciliana era ameaçada por uma revolução popular. O real significado dessa revolução, porém, é sintetizada na fala do personagem de Delon, que diz ao tio ?se quisermos que as coisas continuem como estão, então as coisas terão que mudar?.
Dono de uma direção de arte deslumbrante, com cenários e figurinos impecáveis, ?O leopardo? também se destaca pela longa duração, de quase quatro horas, e pelo elenco estrelado. Em 1963, Burt Lancaster foi indicado ao Oscar por outro filme, ?O homem de Alcatraz?, e já havia ganhado o prêmio por ?Entre Deus e o pecado?, em 1960. Alain Delon e Claudia Cardinale já eram mitos do cinema, por sua beleza e talento, e tinham atuado juntos em ?Rocco e seus irmãos?, também de 1960.
O leopardo? encerra o ano no Cineclube TJ hoje, dia 16 de dezembro, às 19h ? no auditório do Anexo II do TJMG, à rua Goiás, 253, 3º andar, Centro. A sessão é comentada pelo desembargador Sérgio Braga.
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