Rio de Janeiro
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, inspirou-se na figura do lendário personagem espanhol Dom Quixote de la Mancha, do escritor Miguel de Cervantes, para defender mais investimentos em infra-estrutura do setor de transportes por parte do Governo Federal. Segundo o ministro Vidigal, as estradas brasileiras estão esburacadas; os portos, sucateados; os rios, assoreados e a aviação civil passa por dificuldades financeiras, o que reflete na qualidade dos serviços.
"Temos que pensar em grandes alternativas. E que elas sejam urgentes. O Brasil é capaz de superar as suas crises", disse o ministro Vidigal, que recebeu a réplica da espada do guerreiro El Cid campeador no Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, Rio de Janeiro.
Numa noite de festa, que marcou as homenagens da Confraria Dom Quixote e da revista Justiça & Cidadania a magistrados, advogados, políticos, jornalistas e representantes da sociedade civil, o presidente do STJ chamou a atenção para a necessidade de assegurar justiça ao povo brasileiro. Para o ministro, "nunca o Brasil precisou de visões tão quixotescas para enfrentar o atraso, o subdesenvolvimento, a fome e o desemprego".
Dom Quixote
A Confraria Dom Quixote reuniu nos salões do Centro Cultural Justiça Federal personalidades do Estado do Rio de Janeiro para a entrega do troféu Dom Quixote. O chanceler da confraria, ex-senador Bernardo Cabral, num discurso que marcou a abertura da premiação, disse que os agraciados foram escolhidos porque atingiam os cinco itens que norteiam as diretrizes da confraria: ética, moralidade, dignidade, justiça e direito da cidadania.
"Observem os que me ouvem o texto do convite para esta solenidade: a outorga dos troféus Dom Quixote de la Mancha e Sancho Pança às personalidades que se destacaram na defesa desses postulados", disse Bernardo Cabral.
O ex-senador destacou a importância do trabalho realizado pelo presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região (Estados do Rio e Espírito Santo), desembargador federal Frederico José Gueiros, e do diretor-geral do Centro Cultural Justiça Federal, Paulo Freitas Barata, que ontem passaram a integrar a confraria Dom Quixote.
"E o fizeram num instante em que o País passa por turbulências políticas, o que indica a necessidade de ser construída uma ponte de harmonia, através do rio de certa desunião, de determinados desencontros, uma vez que a situação emergente não mais permite o fanatismo sectário ou as provocações estéreis ou a prepotência arbitrária", afirmou o chanceler.
O diretor e editor da revista Justiça & Cidadania, Orpheu Santos Salles, contou que a confraria foi criada há seis anos, a partir da instituição do troféu Dom Quixote como forma de homenagear a magistratura brasileira. Segundo Orpheu Salles, Dom Quixote "é o maior símbolo da luta pela justiça". E complementou: "Ele representa tudo aquilo que o povo espera da magistratura".
O editor recordou que a festa de ontem à noite marcava a décima quinta cerimônia de entrega do troféu Dom Quixote e nomeou personalidades que se encontravam no auditório imbuídas no espírito do personagem de Cervantes. "A Justiça hoje representa a última esperança do povo brasileiro", disse.
Premiação
Foram distribuídos 25 troféus Dom Quixote, dois quadros e a espada El Cid campeador.O desembargador federal Frederico Gueiros, presidente do TRF da 2ª Região, recebeu a estátua das mãos de sua esposa, Vera Lúcia. O presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Antonio Oliveira Santos; o presidente do Jornal do Commércio, Maurício Dinepi; o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio, desembargador Sérgio Cavalieri; o secretário de Energia do Estado do Rio, Wagner Victer Granja, e o secretário de Fazenda do Município do Rio, Francisco de Almeida e Silva, estavam entre os homenageados com o troféu Dom Quixote.
O momento mais marcante da premiação ocorreu com a entrega, pelo ministro Edson Vidigal, do troféu ao jornalista Hélio Fernandes, dono da Tribuna da Imprensa. Bastante emocionado, Hélio Fernandes cumprimentou cada um dos integrantes da mesa.
Os desembargadores Paulo Barata e Sérgio Cavalieri receberam duas telas a óleo de Dom Quixote e Sancho Pança. Coube ao chanceler da confraria, Bernardo Cabral, a entrega do último prêmio da noite. Ele chamou à frente os advogados Técio Lins e Silva e Jorge Tavares, para que pudessem repassar às mãos do ministro Vidigal a réplica da espada do lendário espanhol El Cid campeador.
Em discurso, o presidente do STJ disse que é preciso manter em cada um as idéias de Dom Quixote e que elas sirvam para inspirar os sonhos. Ele defendeu também um melhor uso das bacias hidrográficas brasileiras. Após a premiação, foi servido um coquetel nos salões do centro cultural.
Roberto Cordeiro
(61) 8165 8754
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