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Artigo: Sonho e realidade

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Por: Ordem dos Advogados do Brasil
Data de Publicação: 28 de dezembro de 2005
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Brasília, 28/12/2005 - O artigo ?Sonho e realidade? é de autoria do vice-presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Aristoteles Atheniense:

"Já houve quem dissesse que a vida sem sonhos é como um céu sem estrelas. Alguns sonham em ser cientistas, em explorar o desconhecido, em descobrir os mistérios do mundo.

Outros se satisfazem em viajar para conhecer novos povos e culturas aventurando-se por ares nunca antes desvendados. Sem sonhos, a vida é como um amanhã sem orvalho seca e árida. Os ditadores jamais destruíram sonhos dos que sonharam com a liberdade de seu povo. Este às vezes tombou pelo caminho, feriu-se mas continuou caminhando quando muitos não acreditavam que se levantaria. (Augusto Cury ? "Nunca desista de seus sonhos" ? pág. 19/32).

Quanto em primeiro de fevereiro de 2003, Roberto Antônio Busato assumiu a presidência nacional da OAB, apresentou-se como um sonhador em seu discurso de posse. Comprometeu-se a defender obstinadamente os direitos do advogado, pelo conhecimento que tinha de suas frustrações e dos riscos que a profissão lhes impunha. Risco de fracassar, ser rejeitado, frustar-se consigo mesmo, decepcionar-se com os outros e ser incompreendido no exercício de suas atividades. Não menos preocupante era a situação do país, experimentando uma nova era, com o Presidente da República obtendo uma consagradora votação que não só o crendeciara perante a opinião pública como o tornara alvo maior das esperanças coletivas.

Com o passar dos dias, Busato tornava realidade as promessas feitas quando de sua investidura.

Voltou-se para temas sociais e corporativos, gerando freqüentes oposições que o tornaram ainda mais consciente e responsável pelas declarações emitidas.

Foi o que sucedeu no combate à proliferação de Faculdades de Direito; na defesa das prerrogativas profissionais com destaque para a ousada invasão de escritórios de advocacia; na crítica ao salário mínimo, sustentada na posse do Presidente do STF; na defesa de um órgão controlador do Judiciário que não afetasse as decisões daquele Poder; nas contundentes críticas ao Executivo, na comprometedora indiferença aos primeiros vestígios de corrupção; na necessidade de revitalização da República; no questionamento da origem e extensão da dívida externa; na luta indormida contra o nepotismo que tomou conta do Judiciário.

Evidentemente que todas estas manifestações de altivez causaram descontentamentos aos que se acostumaram a conviver com favores de toda sorte, sentindo-se agora ameaçados nas práticas a que se acostumaram, como se o Brasil não passasse de um quintal de suas casas.

Ao final do segundo ano de seu mandato, Roberto Busato, enfrentando os dissabores de eventuais censores, mostra-se ainda mais disposto a levar a diante com inexcedível coragem tudo quanto anunciou.

Somem-se a isto foram as viagens que realizou a regiões onde até então nunca estivera um Presidente da OAB. No interior do Piauí e da Paraíba conheceu de perto as agruras vividas pelos advogados, estimulando-os ao cumprimento de sua missão por maiores que fossem os percalços enfrentados.

No exterior demonstrou que o Brasil não só conta com o contingente expressivo dos profissionais do Direito, como propenso a estabelecer uma permanente interligação com os colegas de outros países. Assim se houve na África, na Espanha, em Portugal obtendo consagradora recepção na Inglaterra que, pela primeira vez recebeu em solenidade marcante a presença de um bastonário brasileiro.

O ponto alto desta jornada foi a Conferência Nacional de Florianópolis onde proclamou a indignação dos brasileiros com que vem ocorrendo no governo atual, fazendo-o em solenidade a que compareceram o Ministro da Justiça, os Presidentes do STF e do STJ obtendo a aclamação do plenário ávido em escutar verdades oportunas como aquelas que Roberto Busato sustenou.

Com efeito, o cumprimento da palavra empenhada se trouxe a Roberto Busato algumas dissabores, por outro lado tornaram-no ainda mais forte em dar continuidade a sua tarefa.

A sua capacidade de sonhar não se arrefeceu; ao contrário, fez com que se tornasse ainda mais persistente e consciente da missão que cumprirá até o último dia do seu mandato.

Os maiores riscos para um sonhador não são as pedras no caminho, desde que não sonhe apenas para si mesmo, conservando sua paixão pela sua classe e pela humanidade.

Certamente que não lhe faltará paciência nos momentos difíceis pois esta, ainda que amarga ? segundo o filósofo Kant ? seus frutos serão doces.

É o que esperamos em 2006 deste altivo advogado e que não lhe faltem forças na conclusão de sua trajetória já vitoriosa.

 

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