Brasília, 22/12/2005 ? O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, afirmou hoje (22) que, diante das fartas evidências do relatório preliminar da CPI dos Correios, ?o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está na obrigação de demitir imediatamente o ex-ministro Luiz Gushiken, que ainda ocupa um cargo especial em seu governo?. Para Busato, Gushiken não pode mais continuar ocupando cargo no governo, ?sob pena de o presidente Lula passar para a população a impressão de que também faz parte do lamaçal ético?.
De acordo com o presidente nacional da OAB, ficou evidenciado pelas investigações da CPI dos Correios que o ex-ministro Luiz Gushiken é quem autorizava os pagamentos de verbas publicitárias do Banco do Brasil, por meio do ex-diretor Marketing Henrique Pizzolato, à empresa DNA, de propriedade de Marcos Valério, operador do mensalão. Segundo o relatório da CPI, as empresas de Valério movimentaram R$ 2,6 bilhões desde 1997, com maior fluxo de caixa porém a partir de 2002. Diante desses fatos, Busato afirma não entender ?o porquê Gushiken continua mantendo larga influência no governo pois todos sabem que ele é o homem de confiança do presidente Lula, seu maior amigo e confidente?.
A publicidade oficial do governo à época da compra de votos no esquema do mensalão, lembrou Busato, era comandada pelo então ministro chefe da Secretaria de Comunicação Institucional e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken. Apontado no relatório como responsável pelas movimentações financeiras que alimentaram o ?valerioduto?, Henrique Pizzolato, em depoimento à CPI dos Correios dia 7 deste mês, responsabilizou o ex-ministro Gushiken pela autorização do pagamento de pelo menos R$ 9 milhões da Visanet/Banco do Brasil à DNA Propaganda.
O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), sustenta todavia que pelo menos R$ 19,7 milhões ? dos R$ 23, 3 milhões que ainda não tiveram comprovados os serviços correspondentes ? saíram do BB/Visanet, portanto de recursos públicos, para abastecer o esquema montado pelo empresário Marcos Valério e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Conforme Serraglio, o Banco do Brasil e a Visanet foram os principais financiadores do ?valerioduto?, por meio de verbas publicitárias entre 2003 e 2004, cujos serviços não se sabe se foram realmente prestados.
Diante de tantas evidências, indaga o presidente nacional da OAB: ?O que Lula espera mais de provas sobre Gushiken? A revolta do povo? Ou espera aumentar a grande frustração do eleitor, que está vendo seu presidente desmoronar eticamente dia a dia??. Busato disse ainda que todos aqueles empenhados nas investigações dos fatos delituosos do chamado mensalão devem aprofundar as apurações e denunciar os atos do ex-ministro Gushiken e os demais envolvidos, deste ou de outros governos. ?Afinal, Gushiken chefiou a publicidade do governo à época da compra de apoio de parlamentares e não pode passar impune como aconteceu até agora?.
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