Imperatriz (MA), 02/12/2005 ? A Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Imperatriz (MA) liderou uma grande carreata pelas ruas do centro de Imperatriz para denunciar a onda de violência que vem tomando conta da cidade e pedir prisão para os matadores do advogado Valdecy Ferreira da Rocha, de 52 anos, assassinado na última quinta-feira. O movimento, que parou o centro da cidade por alguns minutos, contou com a participação de juízes, promotores de Justiça e representantes da sociedade. A manifestação teve início na sede da OAB, local do velório do corpo do advogado, e terminou uma hora depois, no aeroporto. O corpo foi trasladado em um avião particular para Piripá, distrito de Vitória da Conquista (BA), terra natal do advogado.
Durante a carreata, os advogados denunciaram o descaso do governo do Estado para com a segurança pública no município. O presidente da Subseção da OAB, Agenor Dourado, afirmou que está tentando marcar uma audiência com o governador, José Reinaldo Tavares, para cobrar apuração do crime e melhor estrutura para a Polícia em Imperatriz. Ele também tenta agendar uma audiência com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para solicitar o ingresso da Polícia Federal nas investigações dos assassinatos em Imperatriz.
A promotora de Justiça Fernanda Helena (da 2ª Promotoria Criminal) disse que a morte do advogado é reflexo da situação crítica a que chegou a insegurança no município. Ela afirmou, ainda, que há dias vinha solicitando à Polícia Civil a investigação de crimes, mas recebeu como resposta a informação de que a Policia Civil estaria sem estrutura de trabalho.
Em nota oficial, os juízes da Comarca repudiaram o crime afirmando que ?esse fato, aliado a outros crimes sem elucidação da autoria, vem demonstrando a incontestável falta de segurança e o deficiente sistema de investigação?. Em outro trecho da nota, os juízes dizem que a falta de segurança em Imperatriz se deve também à inexistência de um Instituto Médico Legal (IML) para apurar crimes e lamentaram o que chamaram de ?o retorno da pistolagem? ao município, modalidade criminosa comum nas décadas de 70/80.
O prefeito Ildon Marques também condenou a violência e lembrou que o Estado tem a obrigação de garantir a segurança da população imperatrizense. A delegacia regional de Segurança deve se manifestar oficialmente hoje. A novidade é uma segunda linha de investigação possível para o caso, a de que Valdecyr Rocha teria deixado de atuar no processo para soltura de um detento da CCPJ, o que teria revoltado o preso, o qual, após conseguir a liberdade graças ao trabalho de outro advogado, teria passado a ameaçá-lo.
Juízes, promotores e advogados também se reuniram ontem à tarde no Fórum para tratar sobre a falta de segurança em Imperatriz. Ao final da reunião, foi divulgada uma nota comunicando a sociedade sobre a paralisação das atividades judiciárias no município no dia de hoje, em repúdio à criminalidade. A reportagem é de ?O Estado do Maranhão?.
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