O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) criticou nesta sexta-feira (9), em Plenário, a atuação dos dirigentes do Banco Central na fiscalização das instituições financeiras. Para o senador, a fiscalização deficiente ficou evidenciada nos erros e omissões no acompanhamento das atividades dos bancos envolvidos em denúncias sobre o mensalão, como apontam investigações das comissões de inquérito no Congresso.
- Não tenho receio de errar ao afirmar que o Valerioduto existiu porque o Banco Central permitiu - acusou ele, mas poupando das críticas o quadro de funcionários.
A declaração foi feita em meio a análises sobre o cenário político que demonstram, na avaliação do senador, ser o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma "Torre de Babel". Isso porque, na sua opinião, a gestão é marcada por conflitos internos sobre a política econômica e pelas próprias explicações sobre os escândalos investigados. Segundo ele, os investidores não estão alheios a essa "baderna".
Alvaro Dias fez referência a entrevistas do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu, do PT. Nelas, Dirceu afirma que saiu do governo porque esse era o desejo do presidente, por ele classificado como um "personagem difícil". Ao mesmo tempo, o senador destacou notícias em que Lula afirma que levaria Dirceu a seu palanque, ao defender o ex-colaborador da acusação de "mentor" do mensalão. O senador também salientou que tanto Dirceu como o presidente se consideram "traídos".
- Por que não falam logo a verdade sobre essa história de traição e dificuldades? Difícil, já sabemos que é. Só nos resta saber quem são os traidores - provocou.
Alvaro Dias observou ainda que, fora do governo, Dirceu se transformou em contundente crítico do presidente - inclusive atribuindo a Lula a opção pela ortodoxia econômica que serve de paradigma para o Fundo Monetário Internacional (FMI) - no momento em que outros membros do governo condenam duramente a política conduzida pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
Para o senador, o governo fracassa no propósito de reduzir as desigualdades sociais e na geração de empregos, a maior promessa da campanha do presidente. Depois de uma drástica queda no início da gestão Lula,os postos agora criados são remunerados muito abaixo do padrão anterior, observou. Alvaro Dias também disse que Lula aposta na transferência de renda, com o Bolsa-Família, porque essa opção - apoiada pelas agências internacionais - representa custos menores do que políticas que envolvam investir na infra-estrutura, na educação e na saúde.
- O governo Lula, em matéria de honra, ética e respeito a promessas, está levando nota zero - avaliou.
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