Para evitar os prejuízos causados aos produtores, decorrentes da valorização do real diante do dólar, o país poderia utilizar 20 milhões de toneladas de soja - das 50 milhões de toneladas colhidas atualmente - para a produção de biodiesel e farelo. A sugestão foi apresentada ao governo nesta sexta-feira (9) pelo senador Alberto Silva (PMDB-PI).
O senador advertiu que existe soja sobrando no mercado e que muitos produtores já começam a pensar em substituí-la por outras culturas, mais rentáveis em função da atual situação do câmbio. A seu ver, essa não seria a melhor opção para o país.
- Se temos soja sobrando, por causa do dólar caindo, vamos apanhar parte dessa soja, tirar o óleo que podemos tirar, transformar em biodiesel e produzir também o farelo, que pode se transformar em alimento para o homem e para a criação de aves e porcos - propôs Alberto Silva.
O senador pediu ainda a revisão da atual regra de zoneamento agrícola, pela qual a mamona - que também é usada na produção de biodiesel - só pode ser plantada a partir de 300 metros de altitude. Ele recordou que boa parte do semi-árido nordestino, onde existem oito milhões de lavradores aptos a participar do programa, tem altitude menor do que essa.
Em aparte, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) lembrou o pioneirismo de Alberto Silva na defesa do biodiesel e perguntou a ele se recomendaria aos empresários investir no programa. Em resposta, Alberto Silva defendeu a formação de pools de grandes usinas de beneficiamento com pequenos e grandes produtores de mamona.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), também em aparte, observou que boa parte dos problemas econômicos do Brasil provém de uma decisão adotada pelo governo brasileiro no início da década de 70, de se endividar utilizando o excesso de dólares no mercado - os petrodólares - em vez de se preparar para enfrentar o primeiro choque do petróleo.
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