Senadores e deputados reuniram-se na manhã desta quinta-feira (8) em sessão solene do Congresso Nacional para registrar a passagem do Dia Internacional para Eliminação da Violência Contra a Mulher, oficialmente fixado em 25 de novembro. O evento, realizado a requerimento da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), presidente da Comissão Especial Temporária do Ano Internacional da Mulher Latino-Americana e Caribenha, marca também o encerramento das comemorações desse ano.
A sessão, realizada no Plenário da Câmara dos Deputados, foi aberta com a apresentação de um grupo da Escola de Música de Brasília, que interpretou Mulher Rendeira , de Zé do Norte, e Maria Maria , de Milton Nascimento e Fernando Brant. À mesa, além do presidente do Senado, Renan Calheiros, estavam o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo; o deputado Inocêncio Oliveira (PL-PE); a delegada Jane Barbosa, da Delegacia da Mulher; a reitora do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB), Eda Coutinho; e as embaixadoras das Filipinas, Teresita Barsana, e da África do Sul, Lindiwe Zulu.
Várias mulheres com seus filhos, acolhidos pela Casa Abrigo - entidade que apóia as mulheres vítimas de violência - estavam presentes à sessão, ocupando as bancadas no Plenário, junto a vários parlamentares. Entre eles, estavam as senadoras Serys Slhessarenko, Heloísa Helena (PSOL-AL), Iris de Araújo (PMDB-GO), Roseana Sarney (PFL-MA) e Lúcia Vânia (PSDB-GO).
- A todo instante isso está acontecendo. A violência contra a mulher é o assassinato e a lesão corporal, mas é também a humilhação que asmulheres sofrem todos os dias pela simples condição feminina - afirmou Serys.
A parlamentar destacou ainda que a luta pelos direitos das mulheres tem avançado muito, inclusive com a mudança de várias leis. No entanto, lembrou que é preciso vencer uma outra luta, segundo ela, a mais importante de todas: a questão cultural.
- Como construir uma situação diferente para nossa sociedade, se não conseguimos mudar a cultura dentro da nossa própria casa, onde, muitas vezes, dispensamos aos nossos filhos tratamento diferente ao dispensado às nossas filhas? - questionou a senadora, ao alertar para a necessidade de mudança cultural sobre as relações dentro das famílias.
A senadora Iris de Araújo também reconhece que a sociedade, embora venha se transformando muito ao longo das últimas décadas em várias áreas, "não muda em relação à mulher". Para ela, a falha ocorre na ocupação do espaço político feminino, que está sem representatividade.
- Apesar de sermos 54% do eleitorado brasileiro, temos pouca representatividade política. Estamos errando é na condução das políticas públicas femininas voltadas para aquestão da nossa representatividade - afirmou Iris de Araújo.
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