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Parlamentares examinam complacência do BC nos empréstimos do Banco Rural

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 8 de dezembro de 2005
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Durante o depoimento do ex-superintendente do Banco Rural, Carlos Godinho, nesta quinta-feira (8), parlamentares da CPI dos Correios levantaram a hipótese de o Banco Central ter sido leniente na fiscalização das operações do Banco Rural com o Partido dos Trabalhadores e com as empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Os diretores do Rural, que, segundo Godinho, conta com profissionais qualificados para detectar indícios de lavagem de dinheiro nas operações bancárias, ignoraram o fato de que a movimentação nas contas de Marcos Valério era muito elevada.

- Os dados estão todos lá, em relatórios que chamamos de "Política Conheça seu Cliente". As análises que falam em irregularidades, no entanto, desapareceram - disse o ex-superintendente, acrescentando que isso já aconteceu em várias ocasiões anteriores.

Godinho explicou que a fiscalização do Banco Central sempre foi, aparentemente, rigorosa, mas os resultados nunca foram satisfatórios. Segundo ele, nunca houve nenhuma espécie de punição, mas apenas recomendações de mudanças de procedimento.

O deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) disse acreditar que pode ter havido decisão deliberada por parte dos dirigentes do BC para minimizar o que foi auferido nas auditorias. Ele voltou a solicitar a convocação do presidente do órgão, Henrique Meirelles, ou de ao menos alguns de seus diretores.

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) também exigiu que a CPI seja rigorosa.

- A omissão e a irresponsabilidade do Banco Central nesse episódio extrapolaram os limites do bom-senso. As principais responsáveis pela corrupção que assola o país são as autoridades monetárias. Se o "valerioduto" existe, é porque houve complacência por parte delas - criticou.

Os empréstimos do Rural abasteceram o chamado "caixa dois" do PT por dois caminhos - diretamente para as contas do partido e por meio das contas das agências de Marcos Valério. Godinho explicou, em seu depoimento, como já havia feito em entrevista à revista Época , que o banco sabia que jamais receberia o dinheiro de volta, pois as operações foram realizadas sem nenhuma espécie de garantia.

- Era estranho desde o começo, pois Valério recebeu a denominação "AA", classificação que só é dada a grandes companhias, com garantias inquestionáveis - contou o depoente.

Segundo ele, existiriam interesses do Rural que justificariam o risco da falta de garantias. Ele não esclareceu, no entanto, que interesses seriam esses.

 

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