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Godinho afirma que empréstimos "eram feitos para não serem pagos"

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 8 de dezembro de 2005
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O ex-superintendente de compliance do Banco Rural Carlos Roberto Godinho confirmou o teor de sua entrevista à revista Época e afirmou que os empréstimos feitos pelo banco ao empresário Marcos Valério Fernandes de Souza eram feitos "para não serem pagos". Ele também confirmou a elaboração de relatórios indicando haver indícios de lavagem de dinheiro na movimentação da conta da agência SMPB porque ela era pelo menos dez vezes maior que o faturamento da empresa. Segundo Godinho, seu superior imediato, o diretor Vinícius Samarane, pediu que as informações fossem retiradas do documento. O depoente disse também que o diretor da área em 2004, o vice-presidente José Roberto Salgado, responsável pelo repasse dos dados ao Banco Central, não cumpriu essa tarefa.

Godinho sustentou que os empréstimos feitos a Marcos Valério, ainda que contabilizados e formalizados, fugiam ao teor das operações realizadas pelo banco, porque nunca foram liquidados quando vencidos mesmo havendo dinheiro na conta da SMPB. As renovações necessárias também não eram feitas (a primeira só foi feita no balanço de 30 de junho por orientação do BC, segundo o depoente) e o montante nunca foi cobrado. Ele também confirmou que a presidente do Banco Rural, Kátia Rabelo, sabia das renovações, ao contrário do que afirmou anteriormente à CPI.

Ao ser questionado pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), se as dívidas realmente foram feitas para não serem pagas, respondeu:

- Com certeza, tanto que não foram pagos até hoje. A movimentação astronômica da conta e o fato de ninguém cobrar a dívida mostram isso.

Godinho explicou que, após a elaboração do relatório semestral com suspeitas sobre a conta da SMPB e de Marcos Valério, os diretores justificaram à área de compliance que a movimentação era considerada normal. Depois disso, passaram a retirar as menções a essas desconfianças do balanço semestral. Ele também afirmou que o Banco Central teria condições de perceber que a movimentação estranha com base nos dados enviados pelo Rural.

Ao ser informado que deporia na condição de testemunha, Godinho, que veio sem advogado, disse estar protegido por uma liminar concedida em favor da presidente do Banco Rural, Kátia Rabelo, que o impede de dar entrevistas sobre o assunto. Mesmo assim, ele insistiu que a sessão fosse aberta. O ex-superintendente disse ainda que responde a três processos com pedidos de indenização - à Kátia, Ayana Tenório e José Roberto Salgado (vice-presidentes) - e que sofreu uma devassa em casa e no sítio de um amigo. Justificou-se por não ter vindo há duas semanas depor na CPI porque estava nervoso com o depoimento dado no dia anterior ao Ministério Público.

Ele disse não conhecer Marcos Valério e Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT.

Serraglio: sugestão de prisão "não foi elucubração"

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