Está nas mãos dos brasileiros a decisão de seguir o exemplo asiático e retomar o caminho do rápido crescimento, disse nesta quinta-feira (8) o senador Jefferson Péres (PDT-AM), durante audiência pública promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). A seu ver, não se pode atribuir a outros países a culpa pelas modestas taxas de crescimento experimentadas pelo Brasil nos últimos anos.
Ao analisar casos de sucesso de economias asiáticas, que unem crescimento econômico à distribuição de renda, o senador observou que todas têm pelo menos cinco pontos em comum: extroversão econômica, estabilidade monetária, baixa carga tributária, realismo cambial e grande investimento em educação.
- A Coréia tem mais doutores por habitantes do que os Estados Unidos. Por que o Brasil não fez isso, foram os americanos que determinaram? O problema é que temos no Brasil um Estado corrupto e ineficiente, e não há imperialismo responsável por isso - disse Jefferson, primeiro senador a se manifestar durante a audiência convocada para se debater por que o país teria perdido espaço na economia mundial desde os anos 70.
Em resposta, o sociólogo Hélio Jaguaribe observou que os países asiáticos sustentaram sua independência em relação aos Estados Unidos e que o Brasil, ao contrário, tem se subordinado às determinações do mercado financeiro. Por sua vez, o embaixador Rubens Ricupero incluiu entre as características dos países asiáticos a forte poupança e a "obsessão pela educação" capaz de tornar o desenvolvimento um permanente aprendizado.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) atribuiu o crescimento asiático em parte à continuidade de políticas públicas ao longo de três décadas. A seu ver, falta ao Brasil um projeto de nação de longo prazo.
- Existe hoje um grande vazio no processo político. Há os que fazem propaganda, que são os do governo, e os que criticam - resumiu Cristovam.
Autor do requerimento para a realização da audiência, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) lamentou que os brasileiros ainda não tenham desenvolvido o hábito da poupança e defendeu a ampliação da taxa de investimento para uma faixa entre 25% e 28% do Produto Interno Bruto (PIB). Na sua opinião, a taxa de câmbio poderia até ser alterada, para beneficiar as exportações, mas sem gerar inflação.
A preocupação com o câmbio também foi tema do senador Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG). Ele quis saber qual seria o câmbio correto para o país. Em resposta, Ricupero considerou correto o câmbio que reflita de maneira fiel a evolução das condições macroeconômicas do país. O real estaria sobrevalorizado, a seu ver, porque a inflação brasileira foi maior do que a norte-americana ao longo dos últimos anos, fato que não se refletiu na cotação da moeda brasileira.
Ao defender a rápida retomada do crescimento, o senador Roberto Saturnino (PT-RJ), presidente da CRE, admitiu que uma queda substancial dos juros poderia ter efeitos sobre a inflação. "Mas os benefícios do desenvolvimento seriam muito mais compensadores", ponderou.
Ainda durante o debate, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) considerou a estabilidade um "ponto de partida" para a economia e defendeu a diminuição das desigualdades regionais. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) elogiou a qualidade do debate e a "excelente contribuição" de Jaguaribe e Ricupero. Por sua vez, o senador Edison Lobão (PFL-MA) observou que já existe um diagnóstico quase consensual a respeito da atual situação da economia brasileira.
- Todos aqui sabemos mais ou menos os males que nos afligem, mas não encontramos os remédios adequados - lamentou Lobão.
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