Ao comentar entrevista coletiva concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (7), o senador Romeu Tuma (PFL-SP) questionou o que teria levado o presidente a demitir José Dirceu da chefia da Casa Civil, mesmo não acreditando que houvesse provas contra ele.
Na entrevista, o presidente Lula disse que não pode mandar prender acusados de corrupção, já que isso é prerrogativa da Justiça, nem pedir a abertura de processos judiciais, já que isso caberia ao Ministério Público. O poder do presidente, nesses casos, estaria limitado à possibilidade de demitir as pessoas que perdem a sua confiança. Lula disse ainda que levará José Dirceu ao seu palanque caso seja candidato à reeleição, pois acha que não há provas contra ele.
Tuma lembrou que o ex-ministro, cujo mandato parlamentar foi cassado na última semana, afirmou, em entrevista após a cassação, que saiu do ministério por ter sido demitido. O senador ponderou que, se o presidente diz que não havia provas contra Dirceu, este deveria ter permanecido no cargo.
O senador disse ainda não acreditar que o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, que deixou com cargo logo no início das denúncias contra o partido, tivesse tanta autonomia a ponto de fazer tudo sozinho.
O senador Jefferson Péres (PDT-AM) chamou o presidente Lula de falastrão e disse quenão se pode dar crédito a suas palavras. Antero Paes de Barros (PSDB-MT) afirmou que o presidente tem responsabilidade sobre muitos dos fatos que estão sendo investigados pelas comissões parlamentares de inquérito. Edison Lobão (PFL-MA) e Heráclito Fortes (PFL-PI) concordaram com as ponderações de Romeu Tuma. O senador Sibá Machado (PT-AC) disse que, em conversa reservada, o ex-presidente do PT, José Genoíno, lhe assegurou que não interferia na gestão das finanças do partido.
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