O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, reafirmou em novo depoimento à CPI dos Correios, nesta quarta-feira (7), que o chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Luiz Gushiken, interferiu na decisão de antecipar recursos da conta da Visanet para a DNA, agência do publicitário Marcos Valério de Souza, em 2003.
Pizzolato assinou um documento autorizando, em nome das diretorias de Marketing e de Varejo do Banco do Brasil, um aporte financeiro de R$ 23 milhões do fundo Visanet para a DNA, a título de "continuidade de ações de comunicação". Essa autorização teria sido recomendada pelo então ministro Luiz Gushiken. Para o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), relator-adjunto da comissão, a operação deve ter gerado à empresa de Marcos Valério um ganho de R$ 4,5 milhões em aplicações financeiras.
Durante o depoimento que prestou à tarde,Pizzolato entrou em contradição várias vezes ao responder sobre esse tema. Ele desqualificou uma entrevista publicada pela revista IstoÉ Dinheiro , em que confirmava a interferência de Gushiken. Diversos parlamentares chegaram a comentar que o depoente poderia estar tentando acobertar o ex-ministro. As evasivas do depoente ao responder às perguntas relacionadas com essa questão chegaram a irritar o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral, que o advertiu.
- A um ex-diretor do Banco do Brasil não se concebe desconhecimento sobre determinados assuntos, que não devem ser tratados de uma maneira tão frugal. O senhor chega a depor contra a história da instituição - protestou o senador.
Ao final da oitiva, Pizzolato se emocionou ao falar da família. Disse que foi prejulgado e pediu providências.
-Eu digo e repito: nunca me envolvi com nada disso. Estou passando por um verdadeiro inferno. Não quero mais nada. Espero apenas que isso não se repita com ninguém - declarou.
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