Em entrevista coletiva concedida à imprensa nesta segunda-feira (5), no Rio de Janeiro, o presidente do Senado, Renan Calheiros, disse que é favorável à candidatura própria do PMDB à Presidência da República em 2006. Ao invés de defender um único nome, Renan preferiu apresentar um perfil para o candidato ideal do partido e relacionou peemedebistas que se adaptam a essa projeção. Não deixou de fazer referência à candidatura do presidente Lula à reeleição.
- Alguém que possa unir o partido, que tenha um plano de desenvolvimento na mão e seja uma candidatura conseqüente, para que possamos atrair esse segmento que, aparentemente, deixou a candidatura do presidente Lula, mas ainda não aportou em candidatura nenhuma. Há uma convergência com relação à candidatura própria, mas não há um consenso com relação a nomes - explicou.
Renan disse que o PMDB administra um quadro de excesso de nomes e não de escassez. Ele listou como candidatos que se encaixam no perfil que considera ideal, o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, pela facilidade de relacionamento com os partidos de esquerda e com os de centro; o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, que considerou uma referência do ponto de vista do desenvolvimento e dos investimentos públicos; o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto; o ex-governador Anthony Garotinho, que tem boa posição nas pesquisas de opinião; e, como alternativa, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Nelson Jobim, desde que deixe a magistratura até março de 2006.
Questionado sobre as declarações do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, lançando a candidatura de José Serra à Presidência da República e anunciando o apoio do PFL nacional ao prefeito de São Paulo, Renan disse que, às vezes, tentam confundir a candidatura própria do PMDB com a defesa da governabilidade, mas alertou que são duas coisas bem diferentes.
- Essa coisa do apoio do prefeito César Maia ao candidato do PSDB era uma coisa mais ou menos esperada, natural, e a antecipação do processo eleitoral está acontecendo em função da elevação do tom das disputas no Parlamento, das investigações que estão marcando a ordem do dia. Sinceramente, eu não sei em nome de quem ele fala. Só sei que essas coisas precisam passar por um calendário. Essas decisões acontecerão, mas cada uma no seu tempo - afirmou.
Em relação à reforma política, Renan defendeu o fim da verticalização. Para ele, não tem sentido fazer uma eleição com as velhas regras, pois isso poderia levar à instalação de outras comissões parlamentares de inquérito no futuro. "Sou contra a verticalização porque é uma camisa-de-força e não tem uma boa gênese", ressaltou. Renan lembrou que a verticalização é conseqüência de uma interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que já havia interpretado de maneira oposta duas leis eleitorais anteriores.
- Ela é defensável como princípio, como conceito, mas deveria ser implantada depois de uma reforma política. Ela não pode ser implantada como primeiro passo de uma reforma política. Isso seria verticalizar e engessar o caos - frisou.
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