Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquéritos dos Bingos, a jornalista Mara Gabrilli acusou nesta terça-feira (6) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não ter tomado qualquer providência para combater o esquema de corrupção instalado na prefeitura de Santo André (SP). Ela garantiu que o presidente Lula soube, por seu intermédio, da existência do esquema, mas nada teria feito para desmontá-lo.
Mara Gabrilli disse que procurou o presidente em março de 2003 e, na presença da primeira-dama, dona Marisa, e de assessores, relatou todo o esquema de corrupção que, segundo ela, envolvia extorsão e pagamento de propina por parte de empresários para membros da prefeitura. Diante do agravamento da corrupção em Santo André, mesmo após a morte do prefeito do município, Celso Daniel, assassinado em 2002, Mara chegou a pedir ao presidente Lula a intervenção federal no município.
- Durante o relato, o presidente não ficou surpreso com as denúncias, ao mesmo tempo em que me dirigia perguntas como se não soubesse da existência da corrupção em Santo André - disse a jornalista.
Segundo Mara Gabrilli, o presidente teria prometido determinar que as denúncias fossem averiguadas e informar a ela sobre o resultado das investigações. Ela afirmou ter informado a Lula principalmente a respeito da extorsão dos donos de empresas de transportes coletivos da cidade, como aconteceu com o seu pai, Luis Alberto Gabrilli. Ressaltou, no entanto, que nunca recebeu informação alguma do presidente.
A jornalista - filiada ao PSDB e nomeada pelo prefeito de São Paulo, José Serra, secretária especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida - disse ainda que, na saída do encontro, que ocorreu no apartamento do presidente em São Bernardo do Campo (SP), assessores de Lula pediram a ela para não comentar com a imprensa o teor da conversa, o que teria feito.
O senador Tião Viana (PT-AC) garantiu que o presidente Lula "cumpriu o compromisso assumido" e determinou à prefeitura municipal providências para que as denúncias fossem apuradas. Quanto à intervenção federal em Santo André, solicitada por Mara ao presidente, Tião Viana lembrou que a medida é vedada pela Constituição.
No depoimento à CPI, Mara acusou o ex-secretário de Serviços Municipais de Santo André Klinger Luiz de Oliveira de, com apoio dos empresários Ronan Maria Pinto e Sérgio Gomes da Silva (o Sombra), comandar o esquema de corrupção no município, com destaque para a arrecadação de dinheiro junto a empresas que prestavam serviços à prefeitura. O destino dos recursos, observou a jornalista, era o caixa dois do PT, a ser usado em futuras campanhas eleitorais.
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