O sub-relator sobre os Fundos de Pensão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), informou ter sido impedido por decisão judicial de tornar públicos os números oriundos de quebra de sigilo bancário e fiscal de corretoras de valores. O deputado, no entanto, contou que a investigação identificou operações atípicas que resultaram em perdas expressivas para os fundos de pensão.
Em entrevista coletiva nesta terça-feira (6), Antonio Carlos informou haver recorrência de operações no mercado financeiro em que determinadas corretoras derivavam em um mesmo dia para os fundos de pensão os piores resultados e para uma mesma pessoa ou empresa todas as operações bem sucedidas. Os especialistas da CPI estão estudando os 50 maiores beneficiários desse esquema. A perda acumulada em 14 fundos de pensão entre 2000 e 2005 por operações nesse padrão teria chegado a cerca de R$ 730 milhões.
O deputado destacou que só foram analisadas as operações com valores expressivos. De acordo com Antonio Carlos Magalhães Neto, perder e ganhar ao longo do dia é comum para quem investe no mercado financeiro, mas perder sempre chama atenção. O sub-relator disse que o próximo passo será realizar oitivas com os beneficiados dessas operações para identificar responsáveis. As convocações devem ser votadas na reunião desta quarta (7) da CPI.
Antonio Carlos afirmou que os bancos BMG e Rural - cujo suposto envolvimento no esquema conhecido como "valerioduto" deu origem às investigações da CPI sobre fundos de pensão - ainda não aparecerem na análise, mas as investigações ainda estão em curso e os técnicos ainda não começaram a averiguar a evolução dos investimentos desses bancos nos fundos.
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