Ao depor nesta terça-feira (27) na sede da Polícia Federal, em Brasília, o presidente da GTech Brasil, Fernando Antonio de Castro Cardoso, confirmou as acusações feitas na CPI dos Bingos por Marcelo Rovai e Antonio Carlos Lino da Rocha - respectivamente, ex-diretor e ex-presidente da multinacional no país. Assim como eles, Cardoso afirmou que Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil, e Rogério Buratti, secretário de Antonio Palocci quando este era prefeito de Ribeirão Preto, tentaram interferir nas negociações para a renovação do contrato entre a GTech e a Caixa Econômica Federalno início de 2003. E que, apesar disso, a empresa não teria se submetido à tentativa de extorsão por parte de Buratti.
Segundo Leonardo Rolim, assessor da CPI dos Bingos que acompanhou o depoimento, "avançou-se muito pouco com o que se ouviu hoje [terça-feira]".
A GTech presta serviços à Caixa desde 1997, quando obteve contrato por meio de licitação - a empresa é responsável pelo processamento de loterias da Caixa. Waldomiro Diniz e Rogério Buratti são acusados de pedir suborno à empresa em troca da renovação do contrato com a Caixa, que ocorreu em abril de 2003.
Leonardo Rolim lembrou que, "de acordo com a GTech, Buratti teria pedido, inicialmente, entre R$ 15 e R$ 16 milhões, mas depois teria reduzido sua proposta para R$ 6 milhões". Buratti, por outro lado, acusou a GTech de tê-lo procurado, oferecendo entre R$ 500 mil e R$ 16 milhões, conforme as vantagens que o novo contrato oferecesse à empresa.
- Ambos os lados afirmam que não houve pagamento de propina, mas ambos reconhecem que houve negociação - ressaltou o assessor da CPI dos Bingos.
Rolim frisou que Fernando Antonio de Castro Cardoso não participou da renovação do contrato, pois só assumiu a presidência da GTech em outubro de 2003. Por causa disso, explicou, Cardoso não foi ouvido na CPI, e sim na Polícia Federal.
- Ele não é testemunha dos fatos em questão, mas, por ser o atual presidente da empresa, tem informações a prestar - disse Rolim.
Segundo o assessor da CPI, Cardoso negou que Buratti tenha citado o nome de Antonio Palocci, ministro da Fazenda, durante as reuniões com a diretoria da GTech.
Outro ponto do depoimento destacado por Rolim: Cardoso afirmou que, entre o final de 2003 e o início de 2004, a GTech realizou várias reuniões com a Caixa para discutir seu envolvimento com outros produtos da instituição, como os correspondentes bancários do CaixaAqui. Para o assessor, isso seria um indício de que, ao contrário do que diz a Caixa, a GTech "não era uma empresa que já estava para se desligar da instituição, mas, ao contrário, que poderia até ampliar suas atividades com a estatal". Cardoso teria declarado que as negociações foram prejudicadas pelo escândalo envolvendo Waldomiro Diniz.
Caixa versus GTech
O presidente da GTech também disse que a Caixa ainda não assumiu as operações de nenhuma de suas unidades lotéricas - a Caixa havia anunciado que, até maio de 2006, substituirá totalmente a GTech nas cerca de 9 mil unidades espalhadas pelo país. Rolim ressaltou que "é preciso confirmar se a Caixa está cumprindo seu cronograma de substituição".
Nesta quarta-feira (28), a Polícia Federal deverá ouvir José Lindoso Albuquerque Filho, ex-diretor da Caixa. O assessor da CPI dos Bingos explicou que "esse depoimento não tem relação direta com o desta terça; não trata da renovação de contrato firmada em 2003". Ele explicou que os contratos com a GTech estão sendo avaliados desde o primeiro, de 1997.
- De acordo com o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público, há irregularidades desde a primeira licitação - explicou.
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