O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da CPI dos Correios, deixou o plenário da comissão, onde apresentou a prestação de contas que finalizou oficialmente o trabalho do colegiado em 2005, aparentando a sensação do dever cumprido.
- Tudo o que nós podíamos ter feito, nós fizemos - disse ele.
A afirmação foi feita minutos após um acalorado debate com o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), que não deixou de expressar sua inconformidade pelo fato de o relatório não ter traçado "sequer uma linha de investigação" em relação aos casos Minas, Telesp e Fundacentro (supostos esquemas de corrupção ocorridos no final da década de 90 envolvendo as agências de Marcos Valério e o PSDB).
- Ninguém de nós está fugindo a qualquer investigação, mas temos que seguir uma lógica, e não sair pegando tudo para ver o que é que sai - rebateu o relator.
A lógica também foi usada para justificar o fato de o PMDB não ter sido mencionado entre os partidos beneficiados pelo suposto mensalão, apesar de o ex-líder José Borba (PR) ter renunciado por suspeita de recebimento de propina.
- Se não há padrão, não há como vir à tona. Só temos suspeita de envolvimento de um parlamentar, sem nenhuma periodicidade. Não tínhamos como fazer cruzamento de dados. Ninguém está dizendo que o PMDB não recebeu dinheiro - disse ele.
O senador Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da CPI, por sua vez, não se mostrou menos satisfeito ao fazer uma espécie de balanço de seis meses de atividades da comissão.
- Num momento em que há esse questionamento tão grande em relação à convocação extraordinária, tivemos hoje, aqui, 13 senadores e 21 deputados. Além disso, eu, que ando muito pelo Brasil, nunca vi uma conscientização tão grande por parte da população - comemorou.
Em relação ao relatório final, ainda sem data certa para ser apresentado, Delcídio garantiu que ele será "equilibrado, justo e isento".
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