O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), refez o conceito do chamado mensalão, dinheiro distribuído a parlamentares, conforme denuncia do então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), cassado este ano. Em documento divulgado nesta quarta-feira (21), Serraglio afirmou ter existido um "fundo de recursos utilizado para atendimento a interesses político-partidários", mas sem o modelo apresentado anteriormente pelo ex-deputado.
- São padrões de comportamento que se manifestam de forma não muito difícil de ser captada, que se casam com as informações que circulam - disse.
Serraglio listou quatro padrões de repasses de recursos a parlamentares. O primeiro, era de repasses semanais para o Partido Liberal (PL) por meio da Corretora Guaranhuns, em valores que começam com R$ 500 mil, em fevereiro de 2003 até R$ 100 mil, em agosto de 2003, totalizando mais de R$ 6 milhões. O segundo padrão seria para mudanças de partidos, concentradas especialmente em maio de 2003, com o ingresso de parlamentares no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), num total de R$ 3,6 milhões e em janeiro e fevereiro de 2004, com a migração de deputados para o Partido Progressista (PP), em pagamento de R$ 800 mil. O terceiro, para a realização de votações de interesse do governo, a partir de setembro de 2003, como as reformas da Previdência e trabalhista, com saques chegando a mais de R$ 15,2 milhões. Por último, pagamentos destinados ao PP em intervalos de 48 e 72 horas, intermediados pela Corretora Bônus-Banval e realizados entre abril e junho de 2004, totalizando R$ 6,6 milhões.
O cruzamento dos dados foi feito pelo software I2, utilizado pelo serviço secreto britânico. O relator afirmou existir uma "certa evidência, uma possibilidade de ligação entre as mudanças e a liberação dos recursos". Também disse que o pagamento do mensalão e a prática do caixa dois - assumida pelo PT e até pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva - não se excluem.
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