Dados do relatório preliminar divulgado nesta quarta-feira (21) pelo relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), apontam coincidências no esquema gerido pelo empresário Marcos Valério e pelo ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) Delúbio Soares, as quais reforçam a tese de existência do "mensalão". O documento - elaborado com base no trabalho desenvolvido pela Sub-relatoria de Movimentações Financeiras da comissão, coordenada pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) - caracteriza o "mensalão" como um fundo de recursos utilizados especialmente no atendimento de interesses políticos partidários.
O relatório aponta a concentração de pagamentos em dois períodos: em maio de 2003 - época em que houve intensa migração de parlamentares para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) - e entre janeiro e fevereiro de 2004, quando ocorreram várias filiações de parlamentares ao o Partido Progressista (PP). Além disso, ao comparar os dados, os integrantes da comissão descobriram ainda que, a partir de setembro de 2003, houveconcentração de pagamentos em datas próximas às votações de interesse do governo.
Antes desse período, segundo o documento, o mensalão se concretizava pela retirada de recursos diretamente no caixa bancário. A partir daí, a sistemática de pagamento do mensalão teria sido modificada. De acordo com o relatório, os pagamentos ao PP eram feitos em intervalos de 48h e 72 horas, sob a intermediação da corretora Bônus-Banval.
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