O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), confirmou, no balanço apresentado nesta quarta-feira (21), que dinheiro público abasteceu o "valerioduto". Ele mostrou a triangulação de recursos provenientes dos adiantamentos feitos pela Visanet - que tem entre seus sócios o Banco do Brasil - à DNA, agência de publicidade de Marcos Valério, que foram parar na Corretora Bônus-Banval, e de lá, aos beneficiários autorizados pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
Em 12 de março de 2004, a Visanet adiantou R$ 35 milhões à DNA. No mesmo dia, a agência aplicou R$ 34,8 em fundos do BB. Em 22 de abril, aplica R$ 10 milhões em CDB do Banco BMG, que concede, no dia 26 do mesmo mês, empréstimo de R$ 9,96 milhões à Tolentino Associados, do sócio de Valério - garantido por aval do empresário e da aplicação feita pela DNA no banco. No mesmo dia, a Tolentino faz a transferência de R$ 3,18 milhões à Bônus-Banval, que repassou recursos a parlamentares do Partido Progressista.
- Começo, meio e fim do recurso que saiu da Visanet e chegou às mãos dos beneficiários de Delúbio- disse o relator.
Serraglio utilizou dados da auditoria feita pelo próprio Banco do Brasil para culpar o ex-diretor de Marketing do BB, Henrique Pizzolato, pelo tratamento diferenciado à DNA, para a qual foram adiantados R$ 92 milhões. Ficou provado pela auditoria que houve ganho financeiro para a agência - por aplicar o dinheiro adiantado - de R$ 5 milhões "em virtude do privilégio financeiro". Duas notas utilizadas para esses adiantamentos, nos valores de R$ 23 milhões e R$ 35 milhões são falsas, segundo o laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Federal. Os adiantamentos, segundo a auditoria interna, "não caracterizavam vantagem" ao BB. Serraglio afirmou ainda que falta comprovar a realização de serviços pela DNA num total de R$ 23 milhões.
- É importante dizer que o BB cortou na própria carne. Quero preservá-lo de nomes como Henrique Pizzolato, que se inseriram e mancharam o nome da instituição - disse Serraglio.
O relator detalhou também como os investimentos de Valério mascaravam os recursos que passavam por suas contas e que foram "emprestados" ao PT. Ele disse também que a Visanet contribuiu com mais R$ 9,7 milhões. No dia 19 de maio de 2003, a Visanet fez um adiantamento de R$ 23,3 milhões para a DNA. Um dia depois, a DNA aplicou R$ 23,2 milhões em fundos do Banco do Brasil. No dia 22, a aplicação garantiu um empréstimo de R$ 9,7 milhões no próprio BB. E no dia 26 de maio, a agência SMPB contrai, no Banco Rural, empréstimo de R$ 19 milhões tendo como garantia o contrato de Valério com o BB. Depois disso, ele quita o empréstimo realizado pela DNA junto ao Banco do Brasil. O empréstimo do Rural não foi pago. Os repasses feitos pela operadora de cartão de crédito somam quase R$ 20 milhões.
Além da Visanet, também abasteceram o valerioduto recursos das empresas até então controladas pelo presidente do Grupo Opportunity, Daniel Dantas, a Amazônia e a Telemig Celular, além da Brasil Telecom, que sequer era atendida pelas agências de Valério. Por meio de contratações paralelas, a ex-presidente da BrT Carla Cicco repassou R$ 3,5 milhões em 2003 para trabalhos que só foram concluídos este ano. Os adiantamentos também geraram caixa para Valério. A Usiminas, que também não tem contrato com as agências, repassou R$ 1,1 milhão e R$ 5,8 milhões às empresas de Valério. Parlamentares foram beneficiados com esse montante, como o deputado Roberto Brant (PFL-MG).
Serraglio destacou em seu relatório que as operações de empréstimo feitas por Marcos Valério se assemelha à realizada na campanha de Minas Gerais em 1998.
Outro lado
O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) afirmou que não se pode comprovar a existência do mensalão pelo documento apresentado pelo relator, mas concordou que as antecipações são aberrações.
- Houve apenas distribuição de valores - disse
Já o deputado Maurício Rands (PT-PE) disse que o PT pecou por manter a corrupção que foi originada no governo anterior.
- Este governo falhou por não coibir a corrupção, mas tem a virtude de ter aberto o esquema para investigações - afirmou Rands.
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