Parlamentares do Norte e Nordeste protestaram contra cortes de investimentos da Petrobras na construção de gasodutos nas duas regiões durante votação, em reunião da Comissão Representativa do Congresso nesta quarta-feira (21), de créditos em favor da estatal. As matérias só foram aprovadas após o relator do Orçamento de 2006, deputado Carlito Merss, e o líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), terem assumido o compromisso de negociar a alocação de recursos para essas obras.
Durante a votação do PLN 49/05, que abriu crédito especial de R$ 1,9 bilhão para a Petrobras, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) e o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM) criticaram a alocação de apenas R$ 33,1 milhões (1,57% do total) em favor do Gasoduto Coari-Manaus.
- Isso não dá nem para a partida da obra, orçada em R$ 600 milhões e com 417 quilômetros de extensão - disse Pauderney.
Após ser informado pelo deputado José Rocha (PFL-BA), relator do PLN 50/05, que abriu crédito suplementar de R$ 4,2 bilhões em favor da estatal, sobre o corte orçamentário de R$ 110 milhões em 2005 e a indicação de apenas R$ 16 milhões para o Gasoduto Coari-Manaus em 2006, Arthur Virgílio disse ter ficado claro que a obra não é prioritária para o governo federal. Apesar de votar pela aprovação do projeto, ressalvou que só irá colaborar com a votação do Orçamento de 2006 se esse corte for revisto.
Já o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) também se indignou ao saber do cancelamento de R$ 112 milhões, em 2005, para o gasoduto ligando Fortaleza, Teresina e São Luís e da ausência de recursos para a obra no Orçamento de 2006.
- Isso é um acinte e um deboche do governo Lula com o Piauí, o Ceará e o Maranhão - reagiu, pedindo remanejamento de verbas. O senador Mão Santa (PMDB-PI) associou-se ao protesto de Heráclito e acusou a Petrobras de reduzir cada vez mais os investimentos no Nordeste.
Ex-dirigente da Petrobras, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) lamentou a demora na construção de gasodutos nessas duas regiões. Em relação ao Coari-Manaus, afirmou ser fundamental para o barateamento do gás na região amazônica, frisando que a construção de uma termelétrica movida a gás natural é a saída para atender ao desenvolvimento de Manaus. Quanto ao Nordeste, apontou o gasoduto como a solução para o problema de geração de energia, considerando que a alternativa de hidroeletricidade está esgotada, pois todo o Rio São Francisco já vem sendo explorado para produção de energia elétrica.
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