Ao discursar em Plenário nesta quinta-feira (15), o senador Marcelo Crivella (PMR-RJ) criticou a importação de modelos econômicos produzidos nas universidades norte-americanas. Ele afirmou que o fraco desempenho da economia brasileira está relacionado "aos jovens gênios que estudaram nos Estados Unidos, voltam para casa e, empoleirados em altos postos da República, aplicam no país modelos abstratos muito mais voltados para o mundo acadêmico do que para o mundo real".
- Os recursos governamentais mais desperdiçados nas últimas décadas não são aqueles gastos com obras faraônicas ou corrupção; são os que foram aplicados em bolsas de estudos de jovens economistas brasileiros para estudarem em universidades norte-americanas - ironizou Crivella, acrescentando que "esses economistas, deslumbrados com modelos da moda importam teorias exóticas e fazem do povo cobaias de laboratório".
O senador argumentou que "jamais passaria pela cabeça de um dirigente americano aplicar em seu país a tese do governo mínimo ou do orçamento equilibrado". Ele ressaltou que o déficit fiscal é um meio de manter a taxa de desemprego em "níveis toleráveis".
- Os norte-americanos não lideram a economia mundial por acaso; seu conservadorismo em economia não se confunde com ortodoxia burra - disse.
Para implantar essa ortodoxia, diz Crivella, os tecnocratas brasileiros não estão sós: contam com a atuação de entidades como o Tesouro dos Estados Unidos, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O senador também lembrou que o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan trabalhou no Banco Mundial, enquanto o atual secretário do Tesouro, Joaquim Levy, foi funcionário do FMI.
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