O depoimento do vice-presidente do Banco Rural, José Roberto Salgado, marcado para esta quarta-feira (14), foi adiado por razões médicas. O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), informou o recebimento de correspondência emitida pelo advogado de Salgado, José Carlos Dias, com um atestado médico informando sobre o "estado precário de saúde" do depoente convocado. O cardiologista Paulo Kleber Avelar de Araújo é médico de Salgado há vários anos e citou a necessidade de dez dias de repouso.
- Vamos esperar que ele se recupere para depor aqui - disse Delcídio, recusando a sugestão feita pelo médico de que a audiência fosse realizada em Belo Horizonte.
O presidente da CPI informou que solicitou à Polícia Federal da capital mineira a confirmação da veracidade do atestado, o que ficou provado com uma visita do delegado Rodrigo de Melo Teixeira ao médico. O senador mostrou-se surpreso com a "coincidência" dos dias previstos no atestado, suficiente para evitar o depoimento e que vai até o dia 24 de dezembro, véspera de Natal.
- Vamos insistir. A suspensão atrasa e prejudica, mas não vai atrapalhar o desenvolvimento dos trabalhos - garantiu.
Delcídio informou ainda que aguarda um posicionamento do Senado e da Câmara em relação à convocação extraordinária, para compatibilizar as agendas do Congresso Nacional e da CPI, e que, na reunião administrativa desta quinta-feira (15), informará a programação até o fim do mês de dezembro e as atividades de janeiro e fevereiro, se for o caso. Também não quis dizer sua opinião a respeito da possibilidade de pagamento extra para os parlamentares trabalharem em janeiro.
- Eu viria para cá de qualquer jeito - disse.
O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), prometeu apresentar, até a próxima quarta-feira (21), documento com a prestação de contas sobre o andamento das investigações. Ele não confirmou se já vai propor indiciamentos, mas adiantou que, se o fizer, estarão na lista o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. O relator explicou que, como o indiciamento precisa ser votado pelo plenário da CPI, só na próxima semana será possível saber se haverá condições de reunir número suficiente de integrantes da comissão para incluir e votar o "capítulo à parte" que trata dos indiciamentos.
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