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Verba da Visanet pode ter sido usada em outras operações, suspeita CPI

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 13 de dezembro de 2005
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Em depoimento à sub-relatoria de Contratos da CPI dos Correios na tarde desta terça-feira (13), o empresário Ricardo Ramos Quirino, proprietário da agência Grotera, que prestou serviços ao Banco do Brasil, afirmou que recebeu, por um projeto desenvolvido para o Centro Cultural da instituição, pela verba Visanet.

O pagamento foi feito através da DNA, agência do publicitário Marcos Valério, suposto operador do "mensalão", o que teria surpreendido o próprio depoente, que alegou que, até então, antes de verificar os documentos, acreditava que havia recebido diretamente do próprio Banco do Brasil.

O sub-relator de Contratos, José Eduardo Cardozo, estranhou a informação, especialmente porque a Grotera recebeu apenas quatro meses depois de ter executado o serviço.

-Já sabíamos que havia antecipação de pagamento, e que a DNA ficava com os ganhos financeiros. Nesse caso, Marcos Valério pode ter faturado duas vezes - uma por conta do Banco do Brasil e uma por conta da Visanet - supôs ele.

Prestou depoimento ainda o empresário Maurício Pinho de Santana, ex-sócio da agência Link/Bagg, que também prestou serviços ao BB. Ele falou sobre os casos em que uma agência de publicidade é obrigada a sub-contratar outras empresas.

Devido à diversidade típica do ramo da comunicação, ele disse acreditar que, muitas vezes, as agências acabam se transformando em grandes "guarda-chuvas". Garantiu, no entanto, que, enquanto estava à frente da Link/Bagg (até março de 2005), nunca contratou qualquer empresa sem que os orçamentos fossem enviados à Secretaria de Comunicação (SECOM), que tinha, à frente, o ex-ministro Luiz Gushiken.

Santana se comprometeu a reunir mais dados que possam auxiliar nas investigações da CPI, especialmente no que se refere à relação da Link/Bagg com a Multiaction, empresa do grupo de Valério com que já manteve contratos.

Bonificações

Os representantes das duas empresas foram questionados sobre as chamadas "bonificações de volume" (BVs). As bonificações são gratificações dadas às agências de publicidade por grandes veículos de comunicação, uma espécie de política de fidelidade.

As entidades ligadas ao setor publicitário defendem que as agências possam se apropriar dessas bonificações. No entanto, o edital do Banco do Brasil estabelece o contrário, ou seja, que os recursos sejam repassados ao cliente.

Devido a esse impasse, várias das agências que se relacionam ou já se relacionaram com o BB estão sendo acusadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de apropriação indevida.

Santana disse não saber se a Link/Bagg recebeu BVs, mas reconheceu que "cada veículo tem a sua regra". Quirino, no entanto, defendeu que, se as empresas ficam as bonificações, "é para melhorar a qualidade dos serviços prestados".

 

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