O senador Heráclito Fortes (PFL-PI), em discurso no Plenário nesta terça-feira (13), lembrou os quase sete meses de publicação, pela revista Veja, da reportagem contendo denúncia de que o então chefe de departamento de Administração e Compras dos Correios Maurício Marinho havia embolsado R$ 3 mil a título de propina. A denúncia foi publicada em 14 de maio deste ano e deu início ao escândalo de corrupção no governo que está sendo apurado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios.
Heráclito indagou, dirigindo-se ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que outro governo se envolveu "num raio maior de corrupção que o atual".
Suplicy, contrariando a orientação da bancada, assinou o requerimento de criação da CPI e em aparte, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer a apuração do escândalo "doa a quem doer".
Heráclito ressaltou a integridade de alguns petistas "que não carregam dinheiro em aviões e cuecas" e citou, além de Suplicy, o senador Sibá Machado (PT-AC). Também se disse surpreso com o fato de o presidente Lula assegurar que o "mensalão" não existiu.
- Se não havia 'mensalão', por que Paulo Rocha [ex-deputado e ex-líder do PT] foi afastado e obrigado a renunciar? Qual a acusação? Por que o PT não ficou ao lado dele e disse 'reaja'? Por que foi substituído? São questões difíceis de entender - disse o senador.
Heráclito também protestou contra a declaração do presidente Lula de que a oposição quer dar golpe. Ele frisou que a oposição "é muito ajuizada", acrescentando que o presidente "fala de barriga cheia".
Em aparte, o senador Romeu Tuma (PFL-SP) pediu ao presidente Lula que, "pelo amor de Deus", não fale em golpe.
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