Cerca de 80% da atividade teatral no Brasil estão paralisadas por falta de recursos e incentivos estatais e podem parar definitivamente caso o Orçamento da União de 2006 não contemple umaemenda da Comissão de Educação (CE) que destina R$ 100 milhões para o setor. O alerta foi feito nesta quinta-feira (1º) por representantes de 118 entidades ligadas à produção teatral no Brasil, que procuraram parlamentares da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), para pedir apoio à emenda.
No encontro com o deputado Wasny de Roure (PT-DF), relator setorial do Orçamento da Educação, Ciência e Tecnologia, Cultura e Esporte, o senador Roberto Saturnino ( PT-RJ), que acompanhou os produtores teatrais até a Câmara dos Deputados, destacou a gravidade da crise enfrentada pelo teatro brasileiro. Afirmou que a aprovação daemenda é fundamental para a sobrevivência do setor.
- As dificuldades orçamentárias são enormes, mas precisamos fazer uma pressão legítima para conseguir os recursos necessários para a produção teatral brasileira. E o primeiro passo é esse: pedir o empenho dos relatores do orçamento - afirmou Saturnino.
Wasny afirmou que o teatro é uma área "importantíssima", principalmente porque engloba também outros setores como a educação, a saúde, a segurança e "sobretudo a construção da cidadania brasileira".
- Como relator setorial, estou evitando fazer cortes nesta área porque ela é vital para o Brasil e sempre fica com os menores orçamentos - explicou Wasny.
Para o senador Paulo Paim (PT-RS), que acompanhou o grupo em reunião com o relator-geral do Orçamento, deputado Carlito Merss (PT-SC), é preciso sensibilizar o Congresso Nacional para a aprovação da emenda.
- Esses recursos vão favorecer também outros programas importantes voltados para a inclusão de nossos jovens, por meio da cultura - afirmou Paim.
Carlito Merss ficou satisfeito ao saber que a emenda foi subscrita pela Comissão de Educação, por meio de um trabalho de sensibilização promovido pelas entidades ligadas à produção teatral, junto aos senadores.
- Essa mobilização do setor, que conseguiu a aprovação de uma emenda de comissão, é com certeza um avanço que será levado em conta quando os dez relatores setoriaisse reunirem para fechar o orçamento. Com certeza, agente vai brigar pela área - disse o relator-geral.
- A nossa economia está completamente fragmentada. Os teatros estão fechando e não há espetáculos novos. Essa crise atinge desde os técnicos até os artistas como a atriz Fernanda Montenegro, que há três anos não faz teatro - afirmou Eduardo.
Para a presidente do Sindicato de Artistas e Técnicos de Teatro do Rio Grande do Sul, Marley Danckwardt, os R$ 100 milhões previstos pela emenda não resolvem todos os problemas do setor. O recurso, de acordo com ela, é necessário para tirar o artista da indignidade e impulsionar outras ações para salvar o teatro brasileiro.
- Estamos trabalhando com várias ações de caráter continuado. Queremos uma lei de fomento à produção teatral, com orçamento próprio; uma reforma tributária para garantir benefícios fiscais a atores e produtorese descontingenciamento de verbas para o setor, entre outras medidas - afirmou Marley.
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