Ao comentar, nesta quinta-feira (1º) a cassação do deputado José Dirceu, ocorrida na quarta-feira, por decisão do Plenário da Câmara, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) relembrou as denúncias feitas pelo PT quando o partido fazia oposição aos governos de Fernando Collor e de Fernando Henrique Cardoso. Ele disse que o PT "não tem moral" para reprovar a atitude da oposição com relação a Dirceu.
O senador afirmou também que o ex-ministro teve seu mandato cassado com a ajuda da base governista, já que o parecer do Conselho de Ética da Câmara, recomendando a cassação, foi aprovado por 293 votos, enquanto, em seus cálculos, a oposição reúne apenas 150 parlamentares.
Heráclito cobrou de José Dirceu pedidos de desculpas pelas acusações que fez no passado a outras autoridades, "de forma infundada". Ele citou, como vítimas de calúnias, o então ministro da Saúde de Fernando Collor, Alceni Guerra, o ex-diretor-geral da Câmara dos Deputados e ex-ministro do tribunal de Contas da União (TCU), Paulo Afonso Martins de Oliveira, e o secretário-geral da Presidência da República no governo de Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Jorge Caldas Pereira.
Alceni Guerra foi alvo de denúncias de que teria autorizado compras irregulares de bicicletas e guarda-chuvas para o combate à dengue. Paulo Afonso Martins de Oliveira foi acusado de se apropriar indevidamente de um apartamento funcional da Câmara dos Deputados. Eduardo Jorge ficou sob suspeita de envolvimento no esquema de superfaturamento da construção do Fórum Trabalhista em São Paulo, montado pelo ex-juiz Nicolau dos Santos Neto.
Apesar de fazer críticas a Dirceu, Heráclito Fortes disse o ex-deputado foi "um guerreiro, cassado em razão daquilo que construiu". O senador desejou ainda que ele e o PT tirem lições do que aconteceu.
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