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Advogado insiste que não intermediou pagamento de propina

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Por: Agência Senado
Data de Publicação: 1 de dezembro de 2005
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Ao prestar depoimento pela segunda vez à Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos, o advogado Valter Santos Neto, sócio da MM Consultoria Jurídica, reafirmou nesta quinta-feira (1º) que recebeu R$ 5 milhões a título de honorários advocatícios pagos pela multinacional Gtech. Segundo ele, a quantia referiu-se a seus honorários advocatícios por ter conseguido impedir, na Justiça, que a Caixa Econômica Federal (CEF) substituísse a Gtech na operacionalização de toda a rede lotérica do país.

O advogado negou, portanto, que tenha funcionado como "laranja" na distribuição desses recursos, como forma de pagamento de propina, a pessoas que ajudaram a intermediar a renovação do polêmico contrato entre a Gtech e a Caixa Econômica Federal, assinado em abril de 2003.

Valter Santos Neto disse que o dinheiro foi pago em duas parcelas, entre outubro de 2002 e julho de 2003, e que, como resultado de seu trabalho, a Gtech pôde participar de licitações na área de loterias federais, incluindo processamento da apuração dos ganhadores, rateio e repasse de prêmios.

Do total dos R$ 5 milhões,o advogado disse poder comprovar os gastos de R$ 3,8 milhões, mas afirmou que o restante - R$ 1,2 milhão - "foi gasto com frivolidades". No primeiro depoimento, Santos chegou a irritar os parlamentares, afirmando que os R$ 5 milhões foram gastos com "mulheres, bebidas e viagens".

A versão apresentada por Valter Santos Neto - que disse estar doente e fazendo tratamento psiquiátrico - não convenceu, no entanto, a maioria dos membros da CPI dos Bingos. Para o senador José Jorge (PFL-PE), por exemplo, há fortes indícios de que parte do dinheiro recebido da multinacional tinha um destino certo: pagar propina a pessoas que ajudaram a intermediar a renovação, por 25 meses, do contrato com a Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 650 milhões. O depoente voltou a negar as acusações.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) estranhou que o advogado tivesse sacado os R$ 5 milhões, supostamente pagos pela Gtech, em dinheiro vivo, e transportado o valor em um carro-forte. Valter Santos confirmou, mas, para espanto dos senadores, revelou que esses R$ 5 milhões não eram oriundos da multinacional, mas, sim, de outros honorários recebidos de uma causa judicial ganha em favor da empresa Camargo Corrêa.

- Devido a meus atos compulsivos de gastar, guardei o dinheiro em casa e no meu escritório. Mas também efetuei uma doação no valor de R$ 700 mil para amigos que me indicaram a causa judicial - garantiu o advogado, ao negar qualquer participação nas conversações com diretores da CEF antes da assinatura da renovação do contrato, em abril de 2003. 

Ex-diretor da Caixa nega ter beneficiado Gtech nos contratos com a estatal 

 

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