Em depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, o ex-superintendente do Banco Rural Carlos Godinho voltou a afirmar que os empréstimos ao PT e à agência de publicidade SMPB foram atípicos, como havia dito em entrevista à revista Época . Ele também confirmou que, em sua opinião, os empréstimos foram feitos para não serem pagos, porque, ao longo do tempo, foram sendo renovados a cada 90 dias, sem nunca serem liquidados e sem nenhuma amortização dos juros. Além disso, Godinho ressaltou que o banco nunca fez provisionamento dos valores que tinha a receber, apesar de as contas da SMPB terem recursos para pagar os empréstimos.
Ele disse ainda que, embora a SMPB atendesse o contrato de publicidade do Banco Rural, a instituição não destinava os recursos para pagamento da agência à amortização do empréstimo.
Dados omitidos
Godinho reafirmou que os dados sobre os empréstimos do PT e da SMPB foram retirados da versão final do relatório de controle interno e "compliance", feito semestralmente pelo banco, que fica à disposição do Banco Central por cinco anos. Ele também ratificou que depois lhe pediram que não incluísse mais essas informações no documento, mas disse não ter como provar que os dados foram retirados do relatório.
O ex-superintendente do banco confirmou ainda que o sistema de informática que fazia análise de risco das contas encontrou indícios de lavagem de dinheiro nas contas da SMPB. O sistema, segundo ele, constatou movimentações dez vezes acima do faturamento declarado pela empresa. Godinho disse que isso foi passado à diretoria, que tem a atribuição de relatar ou não a informação ao Banco Central (BC). Até 2004, o responsável por passar as informações ao BC era o vice-presidente do banco José Roberto Salgado José Roberto e, a partir daí, passou a ser a vice-presidente Ayana Tenório.
O depoimento ocorre na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.
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Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Marcos Rossi
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