O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), reconheceu que houve pagamento de "mensalão", descrito por ele como repasse de recursos para atendimento de interesses político-partidários. "Lamentavelmente, tenho de admitir que houve um sistema de corrupção de parlamentares", disse.
Além de um relatório com prestação de contas sobre o andamento das investigações da CPMI, Serraglio apresentou um documento à parte, que detalha as movimentações de recursos das contas das empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza e as relaciona com repasses para partidos, votações no Congresso e trocas de legendas envolvendo deputados.
Padrões
O deputado identificou, por exemplo, no caso dos repasses feitos via a empresa Guaranhuns para o PL, a existência de saques periódicos que podem ser acompanhados semanalmente, sempre com o mesmo valor. De fevereiro a março de 2003, ocorreram saques semanais de R$ 500 mil; de março a abril, foram de R$ 300 mil; e de abril a julho, de R$ 200 mil. Até o final de 2003, continuaram ocorrendo saques semanais com pequenas variações nos valores.
Outra regularidade apontada por Serraglio ocorria nos pagamentos ao PP por intermédio da corretora Bonus-Banval. De abril a dezembro de 2004, os repasses para o PP eram realizados sempre em intervalos de 48 a 72 horas depois de haver depósitos na conta da Bonus-Banval.
Concentração de pagamentos
O relator disse ainda que houve concentração de pagamentos em maio de 2003, mês em que houve intenso ingresso de deputados no PTB. O mesmo ocorreu, segundo Serraglio, entre janeiro e fevereiro de 2004, quando muitos deputados passaram para os quadros do PP. Além disso, o deputado afirmou que há coincidência entre votações de interesse do governo e concentração de pagamentos, principalmente a partir de setembro de 2003. Serraglio, no entanto, não revelou números nem quis citar parlamentares envolvidos.
De acordo com Serraglio, até setembro de 2003, o padrão era a retirada de recursos das empresas de Valério na boca do caixa, deixando o rastro que a CPMI pôde seguir, como documentos assinados pelos sacadores. A partir dessa data, a sistemática mudou, e as retiradas passaram a ser feitas por terceiros, pela própria SMPB ou por meio da Guaranhuns e da Bonus-Banval.
Elogios
Apesar das irregularidades envolvendo o PT investigadas pela CPMI, o relator elogiou o partido. "Sempre admirei o PT por sua história e reconheço qualidades no governo que eu apóio. A principal delas é permitir essa investigação", disse. Serraglio mencionou CPIs em governos passados que não foram permitidas ou que foram abafadas.
Para ele, o único erro do PT é não afastar logo as pessoas que cometeram as irregularidades já detectadas.
A reunião da CPMI prossegue na sala 2 da ala Senador Nilo Coelho, no Senado.
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Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Marcos Rossi
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