O relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), apresentou há pouco dados relativos aos contratos entre a empresa DNA (de Marcos Valério), o Banco do Brasil e a Visanet. Segundo ele, foi detectada uma série de operações que demonstrariam "um sistema feito para lavagem de dinheiro", que "derruba" a versão dos empréstimos feitos por Valério ao PT.
Serraglio citou a auditoria feita no Banco do Brasil sobre os adiantamentos feitos à DNA entre 2001 e 2004. Nos dois primeiros anos (2001 e 2002), a auditoria constatou que os adiantamentos foram feitos em eventos específicos, comprovados por notas fiscais contendo o valor de cada ação e de cada serviço prestado. Já em 2003 e 2004, disse o relator, houve um afrouxamento no rigor. Os adiantamentos não foram relacionados a ações específicas, e as notas fiscais foram registradas apenas no valor total da antecipação.
Nesse último período, foram detectados quatro adiantamentos de R$ 23,3 milhões, R$ 6,4 milhões, R$ 35 milhões e R$ 9 milhões. A auditoria encontrou notas falsas da DNA em todos eles. Cerca de R$ 9 milhões dessas antecipações estão sendo investigados por suspeita de terem sido pagos sem a realização dos serviços.
Operações
Osmar Serraglio detalhou também uma cadeia de investimentos que, segundo ele, explicariam parte da "lavagem de dinheiro" que seria a real natureza dos supostos empréstimos feitos ao PT: no dia 19 de maio de 2003, a Visanet fez um adiantamento de R$ 23,3 milhões para a DNA. Um dia depois, a DNA aplicou R$ 23,2 milhões em fundos do Banco do Brasil. Dois dias depos (22/5), essa mesma aplicação foi dada como garantia de um empréstimo de R$ 9,7 milhões tomado no próprio BB.
Já no dia 26 de maio do mesmo ano, a SMPB - também de propriedade de Marcos Valério - realizou empréstimo de R$ 19 milhões no Banco Rural, que teria sido repassado ao PT. No mesmo dia, a SMPB remeteu para a DNA recursos suficientes para quitar o empréstimo feito no Banco do Brasil. "Todo esse sistema é feito para lavagem de dinheiro, que desmorona a versão dos empréstimos ao PT", definiu o relator.
A reunião da CPMI prossegue na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.
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Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Rodrigo Bittar
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