Durante reunião de balanço realizada nesta quarta-feira pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), reafirmou a existência do "mensalão". "Meu convencimento pessoal é de que tínhamos um sistema de corrupção de parlamentares, o que compromete até a rigidez das decisões que tomamos", afirmou.
Além disso, Serraglio e o sub-relator de Contratos, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), estão convencidos de que houve desvio de recursos do Banco do Brasil para o "valerioduto", principalmente por meio da Visanet. A rescisão do contrato do BB com a DNA (empresa de Marcos Valério Fernandes de Souza) e a extinção do fundo Visanet foram destacados pelos parlamentares como efeitos práticos da CPMI.
Repasses a partidos
Osmar Serraglio detalhou os resultados das investigações da CPMI. No caso dos repasses feitos por meio da empresa Guaranhuns para o PL, por exemplo, ele identificou a existência de saques periódicos. De fevereiro a março de 2003, ocorreram saques semanais de R$ 500 mil; de março a abril, de R$ 300 mil; e de abril a julho, de R$ 200 mil. Até o final de 2003, continuaram ocorrendo saques semanais com pequenas variações nos valores.
Outra periodicidade apontada por Serraglio refere-se a pagamentos ao PP por intermédio da corretora Bonus-Banval. De abril a dezembro de 2004, os repasses para o partido eram realizados sempre em intervalos de 48 a 72 horas depois de haver depósitos na conta da Bonus-Banval. Segundo o relator, a informação foi obtida com a análise da movimentação financeira das empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza, e dos depoimentos e confissões dos investigados.
O relator apontou ainda a concentração de pagamentos a partidos e parlamentares em maio de 2003, mês em que houve intenso ingresso de deputados no PTB. O mesmo ocorreu, segundo Serraglio, entre janeiro e fevereiro de 2004, quando muitos deputados passaram para os quadros do PP.
Coincidência de datas
Segundo o relator, existe "coincidência" de datas entre votações de interesse do governo, principalmente as reformas tributária e da Previdência e a Lei de Falências, e uma concentração de pagamentos a partidos e parlamentares a partir de setembro de 2003. Serraglio, no entanto, não revelou números nem quis citar nomes dos envolvidos.
De acordo com o deputado, até setembro de 2003 o padrão adotado era a retirada de recursos das empresas de Marcos Valério na boca do caixa, deixando rastros que a CPMI pôde seguir, como documentos assinados pelos sacadores. A partir dessa data, a sistemática mudou e as retiradas passaram a ser feitas por terceiros, pela própria SMPB ou por meio da Guaranhuns e da Bonus-Banval.
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Reportagem - Marcello Larcher e Mônica Montenegro
Edição - Rejane Oliveira
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