Na reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, os deputados do PT Jorge Bittar (RJ) e Carlos Abicalil (MT) pediram mais investigações sobre os contratos realizados no Governo Fernando Henrique Cardoso entre a agência de publicidade DNA, do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o Banco do Brasil e a Visanet. O relatório parcial apresentado hoje pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) aponta uma série de operações que demonstrariam "um sistema feito para lavagem de dinheiro", que "derruba" a versão dos empréstimos feitos por Valério ao PT.
Adiantamentos não discriminados
Bittar reconheceu que "não resta dúvidas" de que houve desvio de recursos da Visanet e do Banco do Brasil. No entanto, o petista destacou que, no relatório da auditoria do Banco do Brasil citado pelo relator, também em 2002 há volumes consideráveis adiantados para agências de publicidade que não são discriminados por Serraglio, mas deveriam ser investigados. "Se houve desvio neste governo, ele vêm do governo passado", acusou.
Carlos Abicalil também ressaltou que R$ 48 milhões pagos pela Visanet em adiantamento antes de 2003 foram descontados em uma única nota fiscal. "Embora essa prática seja a mesma em 2003, o relatório não cita a operação que ocorreu no governo anterior", criticou o petista.
Minas
Abicalil considerou importante a afirmação de Serraglio de que o "valerioduto" funcionava desde 1998, com repasses ao PSDB de Minas. Já Bittar lamentou que, embora conste no relatório o repasse de 1998, o relatório se concentra em 2003. O deputado fluminense reclamou, no entanto, que os dados apresentados pelo relator da CPMI apenas explicitam os repasses a partidos políticos, mas não confirmam a tese do "mensalão".
Fundacentro e Telesp
Já a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) pediu investigações sobre suspeitas de desvio de recursos públicos em contrato firmado por outra agência de Marcos Valério, a SMPB, com a Telecomunicações de São Paulo (Telesp), antes de sua privatização, e a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), também no Governo Fernando Henrique. A senadora lembrou que os documentos referentes a essas duas instituições já estão de posse da CPMI. "Precisamos investigar tudo para saber como funciona o sistema de Marcos Valério e expurgá-lo", apontou.
A reunião da CPMI prossegue na sala 2 da ala Senador Nilo Coelho, no Senado.
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Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Francisco Brandão
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