O dono da agência de publicidade Giovanni-FCB, Giovanni Wilbert Servolo, justificou a subcontratação da empresa de eventos Multi-action, do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, para a apresentação de uma campanha para divulgar o Sedex. A Giovanni-FCB dividia o contrato publicitário, em vigor desde 2003, com as agências de publicidade Link/Bagg e SMPB, também de Marcos Valério.
Em depoimento encerrado há pouco na sub-relatoria de Contratos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, o empresário explicou que a Giovanni apresentou três propostas aos Correios para a contratação do serviço. A funcionária da Giovanni Maria Defino declarou que não houve direcionamento na escolha da Multi-action. "Foi uma decisão técnica conjunta da Giovanni e da Diretoria de Marketing dos Correios", afirmou. A agência de publicidade vai encaminhar à CPMI as atas das reuniões em que o assunto foi discutido.
Bônus de volume
Os Correios repassaram R$ 271 mil à Giovanni para o pagamento da Multi-action, em dezembro de 2004. Já a Multi-action repassou à Giovanni um bônus de volume de R$ 27 mil. O sub-relator de Contratos, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), observou que o bônus de volume é uma prática corrente no mercado publicitário. Normalmente, as empresas recebem bônus e não repassam para o cliente, no caso os Correios. No entanto, o contrato dos Correios com a Giovanni não especifica essa questão. "Em princípio, a explicação foi convincente. Mas vamos esperar a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) e o envio da documentação da empresa para saber se está ou não falando a verdade sobre a Multi-action", declarou o sub-relator.
Agenda
A sub-relatoria de Contratos vai ouvir na próxima quarta-feira (28) o depoimento dos sócios da empresa aérea Skymaster Reginaldo Reges Menezes Fernandes e Eder Jouber Ribeiro Cabo Verde e do sócio da empresa aérea Beta Francisco Marques Carioca. A Beta e a Skymaster são investigadas pela acusação de dividir e superfaturar licitações do correio aéreo noturno. Cardozo questionará os sócios sobre a remessa de dinheiro das empresas para o exterior.
Em 3 de janeiro, a sub-relatoria vai ouvir o sócio da empresa de câmbio Cortez Câmbio e Turismo Carlos Alberto Taveira Cortez. Ele foi preso preventivamente em agosto do ano passado, em operação da Polícia Federal contra doleiros. Cortez é acusado de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.
No mesmo dia vão depor na sub-relatoria o chefe do Departamento de Negócios e Operações na Internet dos Correios, Antonio de Paula Braquehais, e o chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal, Adauto Tameirão Machado.
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Reportagem - Ana Raquel Macedo
Edição - Francisco Brandão
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