O vice-líder do PPS Raul Jungmann (PE) entregou nesta terça-feira aos presidentes da Câmara e do Senado, Aldo Rebelo e Renan Calheiros, requerimento para anulação da votação que absolveu o deputado Romeu Queiroz (PTB-MG) da acusação de receber dinheiro do caixa dois do PT. Jungmman diz que houve desrespeito ao sigilo da votação, uma exigência prevista na Constituição Federal.
Ao receber o requerimento, o deputado Aldo Rebelo revelou preocupação com a imagem da Câmara. Segundo Raul Jungmann, Aldo declarou desejar que as apurações e votações de processos contra deputados ocorram dentro da normalidade.
Boca-de-urna
O requerimento para anulação da votação levou em conta acusação apresentada pelo deputado Mauro Passos (PT-SC) no último dia 15, 24 horas após a sessão do Plenário da Câmara que livrou Romeu Queiroz da perda do mandato. Em representação encaminhada à Corregedoria da Câmara, Mauro Passos acusa o colega Osvaldo Biolchi (PMDB-RS) de ter feito boca-de-urna em favor de Queiroz.
Outro indício de irregularidade citado no requerimento foi uma entrevista em que o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) afirma ter visto Biolchi entregando a Mauro Passos uma cédula com a inscrição "não" - o voto "não" era contrário ao relatório do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que recomendava a cassação.
Suspeita de acordo
Raul Jungmann suspeita que tenha havido um grande acordo entre partidos para absolver Queiroz e outros deputados envolvidos no escândalo do "mensalão". Além da denúncia de boca-de-urna na votação, o vice-líder do PPS lembra a liberação recente de emendas parlamentares pelo governo, e o fato de que o número de parlamentares presentes na Casa era superior ao de deputados que votaram no processo de cassação. "Tudo indica que essa absolvição foi viciada", acusa.
O deputado informou que, caso a sessão de votação não seja anulada, o PPS poderá entrar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF). "A absolvição de Romeu Queiroz foi um tapa na cara da sociedade brasileira", justificou.
Biolchi nega
O deputado Osvaldo Biolchi nega ter feito boca-de-urna ou distribuído cédulas já preenchidas durante a votação. Ele prometeu dar uma resposta formal quando receber a citação da Mesa da Câmara e anunciou que vai processar Mauro Passos. "Farei uma reunião com meu advogado e tomaremos as devidas providências. O deputado (Passos) cometeu falta de decoro parlamentar ao denunciar um colega inutilmente e sem fundamento", afirmou.
Caixa dois
O deputado Romeu Queiroz foi acusado de desrespeitar a legislação eleitoral ao receber recursos de caixa dois do PT para o PTB sem registrá-los. Apesar de o Conselho de Ética ter o pedido sua cassação, Romeu Queiroz foi absolvido pelo Plenário da Câmara por 250 votos contra 162.
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Reportagem - Idhelene Macedo
Edição - Rejane Oliveira
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