Os líderes partidários elogiaram decisão do presidente da Câmara, Aldo Rebelo, de garantir a autoconvocação do Congresso durante o recesso para não interromper os trabalhos do Conselho de Ética e das comissões parlamentares de inquérito.
O líder do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse que a decisão foi difícil, mas acertada. "Sem ela, seriam interrompidos os trabalhos da CPMI dos Correios e do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que são fundamentais para investigar os casos de corrupção", justificou Maia.
Segundo ele, uma paralisação dos trabalhos da Casa faria a opinião pública pensar que houve um acordo para os processos do Conselho de Ética não serem julgados. Maia lembrou, ainda, que a Câmara precisa votar matérias importantes para o País, como a Lei das Micro e Pequenas Empresas e a reforma política.
Apurações
O líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), também parabenizou Aldo Rebelo, mas lembrou que, independentemente da convocação, os deputados já vinham investigando e punindo os seus pares. Chinaglia desafiou a oposição a provar qualquer envolvimento do Poder Executivo em irregularidades. "Como líder, tenho certeza de que não há digital do governo em nenhum caso de corrupção ou de caixa dois", afirmou. A CPMI dos Correios, na avaliação dele, é muito elogiada, mas até agora não conseguiu apresentar qualquer prova.
O deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), vice-líder do PSDB, discordou de Chinaglia. Segundo ele, "as impressões de todos os dedos do governo" podem ser encontradas nos casos de corrupção. "O que não temos são os recibos do dinheiro dado aos corruptos, mas os indícios e algumas provas materiais já foram mostrados", alegou.
Pannunzio disse que Aldo Rebelo agiu como um estadista, pois tomou a decisão correta em um momento de adversidade. "O País não poderia esperar pela apuração dos fatos que estão sendo investigados, e o Conselho de Ética não teria condições de trabalhar se a Câmara como um todo não estivesse funcionando", argumentou.
Para o líder do PDT, Severiano Alves (BA), a decisão de Aldo Rebelo de prorrogar os trabalhos da Casa foi "um ato digno e merecedor de aplausos", pois não seria bom que a Câmara interrompesse as suas atividades agora. O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), também elogiou o presidente da Câmara por estar conduzindo a instituição com maturidade, equilíbrio e responsabilidade.
Redução recesso
O líder do PT, Henrique Fontana (RS), disse que o melhor seria não haver a autoconvocação. "Deveríamos encontrar uma forma de votar os projetos mais importantes da pauta no início de 2006; mas, como democrata, aceito a decisão", explicou. Fontana manifestou o apoio, da bancada do PT, à proposta de redução do recesso parlamentar.
Na avaliação do líder do PMDB, Wilson Santiago (PB), a autoconvocação é mais uma oportunidade para os deputados retribuírem a confiança que receberam do povo nas urnas. "O presidente Aldo Rebelo deve ser parabenizado, pois vem dando dinamismo aos trabalhos da Câmara", concluiu.
Mais trabalho
O deputado Benedito de Lira (AL), vice-líder do PP, cumprimentou Aldo Rebelo pela autoconvocação, mas advertiu que a Câmara precisa produzir mais em 2006. "Faço um apelo para que haja não apenas discussão, mas também votação de matérias de relevante interesse nacional", pediu.
O líder do PCdoB, deputado Renildo Calheiros (PE), disse que Aldo Rebelo agiu com coragem e equilíbrio. "Precisamos votar projetos importantes e retomar a agenda legislativa; se a Câmara não trabalhasse agora, as críticas seriam ainda mais intensas do que aquelas geradas pela autoconvocação", analisou.
Resgate da imagem
O deputado Raul Jungmann (PE), vice-líder do PPS, disse que a autoconvocação é uma forma de a Câmara "resgatar um déficit junto à opinião pública". Segundo ele, a Casa deve romper com qualquer tipo de corporativismo e trabalhar pelos interesses da Nação.
Já o líder do PV, deputado Sarney Filho (MA), considerou que a autoconvocação atende às expectativas da sociedade. "É preciso aproveitar este período para votar matérias como a reforma tributária e o aumento nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), pois os municípios estão em grandes dificuldades financeiras", lembrou.
Reportagem - João Pitella Junior
Edição - Paulo Cesar Santos
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