O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), vai elaborar neste fim de semana o cronograma de reuniões para o período de autoconvocação do Congresso. Falta julgar 11 deputados . Izar está ouvindo integrantes do conselho sobre o assunto e deverá fazer uma reunião na próxima terça-feira com (20) os sub-relatores. Ele afirmou que, entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro, espera concluir de seis a oito processos.
Izar lamentou que os parlamentares não tenham aprovado o relatório do Conselho no processo contra o deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), que foi absolvido pelo plenário por 250 votos a 162 na quarta-feira (14). "Existia uma tradição de que Plenário acompanhava sempre a resolução do Conselho de Ética. Isso foi quebrado. Então vamos ver daqui para frente o que vai acontecer."
Segundo Ricardo Izar, o resultado abre um precedente para alguns processos que ainda tramitam no Conselho. Ele citou três deputados que podem ser absolvidos pelo Plenário, caso seja usada a mesma lógica que no processo de Romeu Queiroz: Roberto Brant (PFL-MG), João Paulo Cunha (PT-SP) e Professor Luizinho (PT-SP).
Divergências
Integrantes do Conselho de Ética divergem da decisão do Plenário de absolver o deputado Romeu Queiroz no processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar.
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ), por exemplo, manifestou indignação. "Aconteceu uma espécie de 'valerioindulto' de Natal, que também vai ser reivindicado por outros deputados."
A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) espera que o mesmo critério que absolveu Romeu Queiroz seja utilizado nos processos contra outros parlamentares. Ela teme, no entanto, uma perseguição ao PT. "Eu tenho certeza de que vem sendo tentada nestes cinco meses uma desconstrução do PT, do Lula, do nosso governo. No caso José Dirceu, por exemplo, nós deixamos muito claro que não havia nenhuma prova documental ou testemunhal, não havia uma ligação com Marcos Valério, e no entanto ele foi condenado."
O deputado Moroni Torgan (PFL-CE) não acredita que a absolvição de Romeu Queiroz possa provocar à absolvição automática dos outros deputados processados. Moroni Torgan afirmou que espera que o plenário da Câmara possa julgar cada processo isoladamente.
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Reportagem - Paula Bittar
Edição - Paulo Cesar Santos
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