Em depoimento no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar , o deputado Vadão Gomes (PP-SP) negou qualquer envolvimento político ou comercial com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
Vadão foi apontado pelas CPMIs dos Correios e da Compra de Votos como beneficiário de dois saques nas contas de Valério. Os pagamentos, autorizados por Delúbio, teriam sido feitos em espécie ao deputado em um hotel de São Paulo, no ano passado: no dia 5 de julho, foi pago R$ 1 milhão; e no dia 16 de agosto, outros R$ 2,7 milhões.
O deputado garantiu que não recebeu o dinheiro e prometeu comprovar que não esteve em São Paulo nas duas datas. "O que nós fizemos aqui hoje foi comprovar documentalmente que não participamos desse esquema vergonhoso que está acontecendo", disse Vadão.
Angústia e estranheza
Durante o depoimento, o relator do processo, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), questionou Vadão Gomes sobre a razão que teria levado Delúbio Soares a envolver o seu nome no esquema do "mensalão". Vadão respondeu que uma acusação como essa "causa angústia e estranheza". Ele disse que não havia motivos para obter benefícios de Delúbio, já que não era gestor, articulador político ou apoiador do PT. "As investigações ainda levarão ao real beneficiário dos recursos", disse.
O deputado garantiu que, em toda sua história política, jamais recebeu recursos não contabilizados para financiar suas campanhas eleitorais. "Se acompanharem minhas votações, é possível verificar minha postura de independência. Nem sempre sigo as lideranças, sigo minha consciência."
Vadão afirmou ainda que suas empresas não foram afetadas com as acusações, já que seus fornecedores acreditam na sua inocência. Segundo ele, as empresas têm 21 contas em 19 bancos, mas a quebra de sigilo dessas contas comprovou que ele não recebeu qualquer quantia de Marcos Valério.
Testemunhas
O relator Moroni Torgan lamenta não ter conseguido ouvir Marcos Valério e Delúbio Soares, testemunhas importantes no caso. O relator pretende enviar um questionário aos dois para que esclareçam dúvidas. "Eles afirmam que deram R$ 3,7 milhões a Vadão, mas o deputado diz que nunca recebeu esse dinheiro. Temos que ter informações para dirimir esse impasse."
Moroni Torgan também solicitou à CPMI dos Correios os dados obtidos com a quebra do sigilo telefônico do deputado acusado. Os dados mostram que telefones de Vadão Gomes receberam ligações de telefones de Marcos Valério no final do mês de junho de 2004.
Sobre os telefonemas, Vadão alega que nunca falou diretamente com Valério, mas admite seus assessores recebiam ligações das empresas do publicitário. "Não existe fato, não existe prova. Quero ser inocentado não só pela falta de provas, mas pelas comprovações que eu já trouxe ao conselho."
Reportagem - Simone Salles
Edição - Rejane Oliveira
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