O traficante Ney Machado, tido como principal sócio de Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, no tráfico internacional de drogas, foi ouvido hoje pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas. A todas as perguntas feitas pelos parlamentares, respondeu apenas não ter "nada a declarar".
Ney Machado foi transferido da Colômbia - onde cumpriu pena de quatro anos de prisão - para o Brasil no dia 22 de outubro. Está preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, no Rio Grande do Sul.
Centro de operações
No final de década de 90, Machado e Beira-Mar montaram um centro de operações em terreno das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para trocarem armas por drogas. Na época, os dois eram fugitivos do Brasil. Militares colombianos chegaram à base e apreenderam com o grupo cerca de 700 fuzis, dólares e documentos que identificavam a rota do tráfico. A operação foi batizada de "Gato Negro" e tinha como objetivo chegar à liderança das Farc. Beira-Mar foi ferido pelos militares, capturado e, em seguida, extraditado para o Brasil. Machado ficou detido na Colômbia e foi transferido para o Brasil somente neste ano.
Periculosidade
Segundo Moroni Torgan, a intenção de trazer Ney Machado à CPI é não deixar que a sociedade esqueça a "periculosidade dessa organização criminosa" e também denunciar que os criminosos agem mesmo dentro das cadeias.
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Reportagem - Maria Clarice Dias
Edição - Sandra Crespo
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