O integrante da Comissão de Liberdade de Expressão do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal Dioclécio Luz explicou que, a cada 10 emissoras de rádio e TV no Brasil, 9,8 pertencem a emissoras comerciais ou religiosas. Ele acrescentou que sete famílias e duas ou três religiões dominam a comunicação no Brasil. "Praticamente nada sobra para rádios e TVs comunitárias.
O jornalista participa do painel "Comunicação como Direito Humano" do debate sobre radiodifusão comunitária promovido pela Comissão de Legislação Participativa.
Acesso à cultura
Dioclécio Luz reclama que no Brasil o acesso à cultura tem um custo muito alto e que as rádios de comunidades permitem que a população tenha contato com o mundo das informações, do lazer, da cultura e da inclusão social. "Essas rádios permitem, inclusive, diversas ações de solidariedade."
Segundo Dioclécio, porém, a legislação que regulamenta as rádios comunitárias apresenta uma série de restrições, assim com o decreto que a regulamentou. Ele explica que as rádios têm o alcance de apenas um quilômetro e de 25 watts; que o tempo de concessão é de dez anos; a publicidade, proibida; e que só dispõem de um canal que se localiza fora do dial. Segundo Dioclécio, como o dial vai de 88 a 108 mhz, diversas rádios não conseguem sintonizar. Atualmente, existem 2.300 rádios comunitárias autorizadas e cerca de 10 mil clandestinas.
Dioclécio também enfatizou que as rádios se encontram desprotegidas, porque se uma rádio comunitária interfere em uma comercial ela é punida, mas o inverso não acontece.
Propostas do setor
Dioclécio diz que o setor quer o fim da repressão às rádios comunitárias, anistia para as que se encontram fechadas e maior agilidade para que as rádios possam se regularizar junto ao Ministério das Comunicações. Ele relata que o tempo médio para conseguir a regulamentação é de três anos e meio.
Dioclécio também propôs o fim da interferência política no processo de distribuição das rádios no Brasil e a punição dos agentes da Anatel e da Polícia Federal que cometam ações brutais no fechamento das rádios. Além disso, sugeriu mudanças na atual legislação, como o aumento do alcance e a permissão para a publicidade.
Encontro com o ministro
O deputado Adão Pretto (PT-RS), que presidiu o painel, afirmou que ele e os deputados Walter Pinheiro (PT-BA), Fernando Ferro (PT-PE) e Fátima Bezerra (PT-RN) tinham uma audiência hoje com o ministro das comunicações, Hélio Costa. Mas, como o ministro não quis receber na mesma reunião os representantes das rádios comunitárias, os parlamentares desistiram do encontro.
O debate ocorre no plenário 2.
Leia mais:Advogada diz que repressão a rádio não tem amparo legalJornalista denuncia repressão em fechamento de rádiosDiretor de ONG diz que governo não apóia rádio comunitáriaRecomeça debate sobre radiodifusão comunitáriaRádios comunitárias querem reabertura de concessõesCasa Civil quer mudança em regras sobre rádio comunitáriaComissão promove debate sobre radiodifusão comunitária
Reportagem - Simone Salles
Edição - Regina Céli Assumpção
Link para a página original
0 pessoas comentaram a notícia "Sindicato reclama de concentração de concessões de rádio"
Deixe o seu comentário
Você deseja ver o seu avatar no seu próximo comentário? Você precisa do Gravatar.
* Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores e podem não expressar necessariamente a opinião do Direito 2.