O deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), relator do processo contra o deputado João Magno (PT-MG), estranhou a falta de data em alguns dos recibos e notas apresentados pelo petista à Justiça Eleitoral, o que poderia demonstrar fraude nos documentos. Magno defendeu-se, dizendo que as datas dos pagamentos aparecem no "corpo" dos documentos e não em seu final (o campo reservado para as datas não foi preenchido).
O parlamentar petista disse ainda que poderia ter incluído a data posteriormente, mas não o fez para não adulterar os comprovantes. Para Magno, qualquer dúvida poderá ser dirimida submetendo os documentos à perícia técnica, que vai, segundo ele, atestar a data em que foram elaborados.
Magno conta que arquivou todos os recibos referentes às despesas que foram pagas com o dinheiro recebido de Marcos Valério e aguardava a entrega, pelo PT, dos documentos certificando a origem dos recursos para apresentar as informações à Justiça Eleitoral. Assim que recebeu os documentos, teria apresentado a prestação de contas complementar ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Sinal vermelho
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) destacou, na reunião, que o uso de caixa dois é uma irregularidade. Ele comparou a prática com a de avançar sinais vermelhos na madrugada. "Todo mundo faz, mas de vez em quando alguém é atropelado ou se bate em um poste e o infrator é punido", comentou.
Já o deputado Edmar Moreira (PL-MG) manifestou a convicção de que Magno não se apropriou de "nenhum vintém" do dinheiro que recebeu do PT por meio das agências do empresário Marcos Valério de Souza para o pagamento das despesas de campanha. A deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG) reforçou que Magno, em 15 anos de mandatos eletivos, tratou com "seriedade a coisa pública". "Conheço o deputado João Magno, que leva uma vida simples e digna, e nunca usou dinheiro público para beneficiar a si mesmo ou a seus familiares", atestou.
Reportagem - Edvaldo Fernandes
Edição - Francisco Brandão
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