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Dirceu acata cassação, mas espera absolvição na Justiça

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Por: Agência Câmara
Data de Publicação: 1 de dezembro de 2005
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Em entrevista coletiva na Câmara, o ex-deputado e ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, cassado na madrugada desta quinta-feira pelo Plenário, disse que acata a decisão da Casa. Ele afirmou não estar preocupado em saber quem votou a favor ou contra a sua cassação, insistiu na tese de que perdeu o mandato por motivos políticos e garantiu que não guarda ressentimentos.

Dirceu manifestou a certeza de que será absolvido pela Justiça, na análise das denúncias a serem encaminhadas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. "O Congresso Nacional deu um passo arriscado, e espero que isso não se volte contra ele".

Ele descartou, porém, a hipótese de recorrer à Justiça contra a cassação. "Eu respeito o voto de cada deputado. Posso discordar, mas discordo politicamente. Não vou deslegitimar a decisão da Câmara dos Deputados."

Retratação

Perguntado sobre uma declaração que deu em 1994, de que o deputado Ricardo Fiuza (PP-PE) deveria ser cassado mesmo sem provas de corrupção (ele era acusado pela CPI do Orçamento), Dirceu retratou-se. "Foi um dos maiores erros da minha vida, já me penitenciei por isso." Segundo o ex-ministro, Fiuza votou ontem a favor dele. "Não foi sequer necessário pedir o seu apoio", disse, ao assegurar que é amigo de Fiuza desde então.

Recursos na Justiça

José Dirceu considerou "uma violência" a pergunta de um jornalista sobre a razão de "ter tentado protelar" sua cassação por meio de diversos recursos no STF. "Não tentei protelar, fui buscar um direito meu. Qualquer um de vocês poderá um dia precisar recorrer ao Supremo e isso é um direito que ninguém pode cassar", disse.

Segundo o ex-ministro, está na hora de o Brasil começar a discutir a transferência do poder de cassação do Parlamento para o STF. "Isso já ocorre nas democracias mais avançadas do mundo", ressaltou.

Ao defender a mudança na legislação, Dirceu acrescentou que o parlamentar só deveria perder o mandato depois que sua condenação transitasse em julgado na Justiça. "O máximo que poderia ocorrer no Congresso seria a suspensão do mandato enquanto o parlamentar responde a processo na Justiça", sugeriu.

Defesa de Delúbio

Perguntado se estaria dando ajuda financeira ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, José Dirceu negou e saiu em defesa do amigo. "Delúbio não é uma pessoa corrupta e eu não estou sustentando ninguém. Não consigo nem me sustentar, vou sustentar o Delúbio Soares? Eu tenho é que trabalhar já na segunda-feira."

O ex-deputado também defendeu o PT, afirmando que o partido não é uma máquina arrecadadora. "Nunca o PT teve muitos recursos." O ex-deputado disse ainda que os recursos do partido vêm dos parlamentares, de contribuições voluntárias e de quem tem cargos públicos.

O ex-parlamentar repetiu algumas vezes que ninguém até agora conseguiu provar se houve "mensalão". "A única coisa concreta são os empréstimos de R$ 55,6 milhões dos dois bancos (Rural e BMG). Ninguém pode dizer que há mais dinheiro do que isso."

Ele reafirmou não ter discutido os empréstimos do PT com dirigentes dos dois bancos. "Se tivesse discutido, eu assumiria. Não vejo absolutamente nada que me desabone no fato de ter recebido aqueles dirigentes. Na Casa Civil, eu recebi centenas de empresários, já que tinha atribuições para tanto."

Eleições

De acordo com o ex-deputado, a oposição está querendo sangrar o governo para tentar ganhar as eleições no ano que vem. Ele admite que o Executivo não foi capaz de manter uma maioria parlamentar, mas ressaltou que alguns projetos têm sido aprovados. "A crise atual tem razões concretas, sou uma das razões dessa crise." O ex-deputado disse ainda que o PT e o governo têm condições de se recuperar, e assinalou que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, é imprescindível para o Brasil. "Espero que ele consiga se manter."

Dirceu acredita que a aliança natural para a campanha presidencial de 2006 será entre o PT, PCdoB e PSB. No entanto, ele adverte que, se a verticalização das coligações e a cláusula de barreira caírem (hipótese que ele critica), "será como o diabo gosta". Por isso, considera essencial aprovar a reforma política. "Qualquer um que for eleito com o quadro atual terá problemas, por isso a reforma política é necessária."

Bengaladas

No final da entrevista, o ex-deputado anunciou que vai entrar com queixa-crime contra o escritor Yves Hublet, que lhe deu golpes de bengala na última terça-feira (29). Dirceu também abraçou o aposentado Hildebrando Flores, um admirador seu de 81 anos que desafiou Hublet para um duelo de bengalas.

Leia mais: Ex-ministro espera julgamento do PT e do eleitoradoNotícias anteriores: Plenário aprova perda de mandato de José DirceuAldo: cassação de Dirceu refletiu vontade da maioria

Reportagem - Janary Júnior e Newton Araújo Jr.

Edição - Rejane Oliveira

 

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