O Estado é ausente na fronteira do Brasil com a Argentina e Paraguai e, por isso, a fiscalização tem sido totalmente falha. O desabafo foi feito nesta quinta-feira pelo delegado da Polícia Federal em Guarapuava (PR) José Alberto Freitas Iegas aos deputados que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas.
Segundo Iegas, tais dificuldades permitem a entrada constante, e fácil, de drogas, armas e munições no Brasil, vindas dos dois países vizinhos. O delegado mostrou que os principais problemas fronteiriços que enfrenta no Paraná são a entrada de entorpecentes, especialmente lança-perfume, da Argentina; e de armas e munições, do Paraguai. Na Argentina, segundo o delegado, o lança-perfume é vendido livremente como aromatizador de ambientes.
Rota dos ilícitos
Iegas disse que alguns dos principais municípios do Paraná que recebem produtos ilícitos da Argentina são Capanema, Tranchita e Santo Antônio do Sudoeste. Dessas cidades, os produtos seguem para Cascavel, e dali são distribuídos para o Brasil inteiro.
Cascavel, segundo informou o delegado, é um "pólo de desenvolvimento de atividades ilícitas" e, para Iegas, é curioso o fato de a cidade não ter posto da Polícia Federal. Outro município paranaense que concentra muitos criminosos ligados ao tráfico de armas e drogas é Umuarama, que também não tem delegacia da PF.
Dificuldades
Responsável pelo flagrante de prisão de Adriel José Taparo com dois fuzis e mais de 12 mil munições de armas de grosso calibre em Laranjeira do Sul (PR), em 22 de outubro deste ano, Iegas reclamou que está tendo dificuldades com a Justiça para conseguir a quebra dos sigilos telefônico e bancário do criminoso.
Segundo o delegado, o acesso aos contatos feitos por Taparo tornarão possível a identificação de outras pessoas vinculadas à compra de armamento ilegal no Paraguai para vender, sobretudo, em São Paulo e Rio de Janeiro.
O deputado Colbert Martins (PPS-BA) ficou encarregado pelo presidente da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), de encaminhar à comissão pedido de quebra dos sigilos de Taparo. O requerimento deverá ser votado na próxima reunião da CPI, informou Torgan.
Indiciamento
Taparo também foi ouvido hoje na CPI, mas nada acrescentou ao que os integrantes da comissão já sabiam a partir dos autos de apreensão elaborados pela Polícia Federal no Paraná.
Torgan informou a Taparo que, por ter se calado durante o depoimento na CPI, que tem poder de Justiça, poderá ser indiciado por negar a verdade à comissão. Outro crime pelo qual Taparo pode ser acusado, segundo o presidente da CPI, é o de formação de quadrilha. Esses crimes, de acordo com o deputado, podem elevar sua pena de reclusão para até 16 anos.
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Reportagem - Maria Clarice Dias
Edição - Sandra Crespo
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