Bianca Paiva
Da Agência Brasil
Brasília - Em nota divulgada hoje (22), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) contesta os números apresentados pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Segundo o documento, o governo inclui nas estatísticas referentes à reforma agrária famílias que receberam terras de assentamentos antigos. Os dados do Incra revelam que 117.500 famílias foram assentadas em 2005.
A nota do MST afirma que "a política de reforma agrária nada tem de original e repete os mesmos passos do Governo FHC: inflaciona os verdadeiros números de assentamentos utilizando a prática de contabilizar a reposição de lotes em assentamentos antigos como novos assentamentos; em deixar famílias vivendo em assentamentos precários no norte do país em terras públicas, que beneficiam principalmente grileiros".
Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, os números do governo são incontestáveis. "O critério da verdade é inegociável para nós. Não há nenhum espaço para discussão da qualidade desses números. Eles traduzem exatamente as famílias que deixam de ser sem-terra e passam a ter terra", afirmou.
O presidente do Incra, Rolf Hackbart, destacou que todas as famílias já estão assentadas e com todos os direitos adquiridos. "Não existe reforma agrária virtual neste governo. Cada família já tem seu lote reconhecido pelo Incra. E com direito a R$ 5 mil para construção da casa e R$ 2.400 por ano, durante três anos, para organizar a produção no assentamento", explicou.
Hackbart anunciou ainda que em janeiro o governo vai apresentar uma lista com o nomes e dados de todas as famílias assentadas.
O MST pede, na nota, a formação de uma comissão, com a participação de representantes de movimentos sociais, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), dos servidores do Incra e jornalistas, para visitar os assentamentos anunciados e fazer uma auditoria nos dados apresentados.
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