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Secretário quer saber se presos mandaram matar suspeitos de incendiar ônibus no Rio

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Por: Agência Brasil
Data de Publicação: 2 de dezembro de 2005
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Thais Leitão

Repórter da Agência Brasil

Rio - O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Itagiba, determinou a tomada de depoimentos, a partir de hoje (2), dos chefes do tráfico que cumprem pena na penitenciária Bangu 1, zona oeste do Rio, e mandou que fosse aberto inquérito na Delegacia de Homicídios. Ele quer apurar se a ordem de matar os responsáveis pelo incêndio do ônibus da linha 350 (Passeio-Irajá) na noite de terça-feira (29), na Penha, subúrbio da cidade, partiu dos traficantes presos. Os autores do incêndio seriam ligados aos detentos.

Se ficar comprovada a origem da ordem da execução, os líderes do tráfico serão indiciados como mandantes do crime. Caso se confirme que os responsáveis pelo incêndio eram ligados aos chefes do tráfico presos em Bangu 1, os líderes também serão indiciados por co-responsabilidade pelas mortes dos inocentes.

Em entrevista à Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a inspetora-chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), Marina Maggessi, disse não acreditar que a execução tenha sido ordenada pelos chefes do tráfico. "Foi tão imediato que eu acredito que tenha partido da quadrilha que age naquela região. Os bandidos não concordam com esse tipo de ação, de partir para cima de inocentes", afirmou Marina. Ela disse que esse caso é diferente do que ocorreu com Elias Maluco, assassino do jornalista Tim Lopes. "Eles não entregaram o Elias Maluco porque entendiam que ele era um tipo de X9, que filmava a ação deles para repassar as informações aqui para fora", acrescentou.

Marina afirmou que o tráfico age de modo semelhante em todo o mundo. "Qualquer máfia mata dentro de sua organização, isso é corriqueiro em todo lugar. Além disso, também é comum haver protestos com incêndios de carros e ônibus", afirmou. Para ela, o que torna o ataque no Rio de Janeiro "inusitado" e "absurdo" foi o fato de terem ateado fogo ao veículo com gente viva dentro. "O bandido também se revolta porque ele sabe que quem anda de ônibus são os pobres, os miseráveis, os favelados. E eles são seus parentes. Mas ele não pode prender os culpados e entregá-los à polícia porque estaria trocando de lugar comigo. Então, o bandido segue a lógica de cortar a própria carne e o tribunal da máfia só tem uma pena".

Quatro jovens foram encontrados mortos na madrugada de ontem (1) no porta-malas de um carro abandonado próximo ao local onde ocorreu o incêndio. Junto aos corpos havia um bilhete que os responsabilizava pela morte dos cinco passageiros do ônibus incediado. Dois sobreviventes do ataque ao ônibus reconheceram, na tarde de ontem (1), no Instituto Médico Legal, dois dos quatro homens mortos como participantes do crime.

 

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